Fátima Abreu Tenho acompanhado a questão levantada por uma recente decisão ministerial sobre os financiamentos dos colégios privados, e a opinião que se tem gerado à volta deste assunto. Espero que a pressão não leve o ministro a recuar. De facto, a questão é uma falácia muito bem orquestrada pelos principais interessados. Estamos a falar, segundo as mais recentes informações, de 3% dos alunos deste país. Contas feitas para o território continental.

Recentemente, o dirigente do SPM, meu colega Francisco Oliveira, traz este debate até nós dando a conhecer num artigo de opinião alguns números respeitantes à Região. Alguns bem curiosos, pois a baixa do número de alunos tem estado sempre a ser justificada com a baixa de natalidade… mas o número de alunos das escolas privadas, curiosamente por aqui, também têm aumentado. Questão que, realmente, carece maior esclarecimento.

Sei que a escola privada tem de existir, mas quem lá pretende ter os seus filhos deve pagar. A escola pública comporta a maioria da população escolar e a escolaridade é já obrigatória até ao 12.º ano. Não deve por isso esta Escola Pública de todos continuar a lidar com a falta de meios – os tais que as escolas privadas apresentam e que as tornam atrativas –, aquiridos em parte, com os apoios do Estado, que não tem para dar às que lhe compete. Isto não faz sentido. Pondo isto mais simples para que todos possam entender: será o mesmo que dizer que um pai de uma família com seis filhos escolhe deles apenas um para instruir. O bom pai, se tem pouco, distribui de forma igual. Assim deve fazer o Estado a quem compete promover a igualdade de acesso a um mundo melhor.

Sou defensora da escola pública. De uma escola pública de qualidade. Mas não pode hoje haver qualidade sem meios, sobretudo num mundo em que o trabalho é tão exigente em tecnologias e a escola tem de fazer a preparação para o mundo do trabalho.

Julgo que, presentemente, todos ultrapassámos já a falta de papel higiénico nas escolas… (acho mal, mas é um mal menor, face aos outros). Importam-nos mais outras faltas, como a dos produtos de higiene para as casas de banho, e, no que ao ensino diz respeito, o papel para materiais do dia-a-dia: testes, fichas de informação, exercícios, que nos obriga a dar tudo em tamanho reduzido. Ou outras que respeitam a instrumentos de trabalho, aqueles que, na atualidade, muitos professores se vêm pressionados a comprar do seu bolso para servir melhor a escola pública onde trabalham: computadores, projetores e sei lá que mais em outras áreas ou atividades. Eu não comprei e fiz muita força para não o fazer. Penso que isso é uma obrigação da escola e, no momento em que os professores começaram a comprá-los deram azo à demissão do ESTADO. Pagam do seu bolso para fazer um serviço cada vez mais mal pago: o vencimento emagrece e muitos docentes há anos que estão parados na progressão da carreira o que, nesta perspetiva, lhes daria pelo menos uns trocos mais para devolverem ao Estado em géneros…

A par disto alguns grupos disciplinares têm conseguido que as editoras dos manuais escolhidos ofereçam projetores. (Outra questão que daria pano para mangas… de discussão).

Entretanto, e há muito poucos dias, num ato público em que foi questionado por alunos do Curso de Multimédia ouvi o Diretor Executivo, da minha escola, que o tem na sua oferta, afirmar que, apesar dos meios serem escassos, o investimento em novas tecnologias para o próximo ano letivo não está autorizado e será zero.

Estou a falar de uma escola que foi pioneira nas novas tecnologias (… quem se lembra do Projeto Minerva, de boa memória onde os mais velhos, quase todos demos os primeiríssimos passos num computador Macintosh?!) e que, neste momento, tem muito poucos, para não dizer nenhuns computadores capazes ao serviço dos alunos fora do espaço aula, por exemplo na biblioteca ou num qualquer espaço vigiado dedicado a esse efeito. Mas os professores pedem trabalhos feitos com todos esses meios. Será mesmo que este Estado que temos acredita que em todas as casas de família deste país, ou desta região existe já um computador disponível, com impressora e cartuchos de tinta à disposição?