Desculpem o título em Inglês, mas lembrei-me de Rod Stewart, que vem a Lisboa em breve. Hoje não podia deixar de escrever sobre os “Panama papers”.

Se eu bem percebi, o Governo Alemão comprou informaçao roubada à Moussak -Fonseca” e o Sudeutsche Zeitung, alemão, teve acesso a ela. Como não conseguia dar conta da empreitada contactou o consórcio de jornalistas independentes sedeado nos EUA e eis que as TVs aumentam audiências e os jornais vendem mais uns milhares de exemplares. Já falei de alemães e de americanos e, curiosamente, nenhum nome destas nacionalidades aparece na lista daquela que é a quarta maior sociedade de advogados do quintal dos EUA.

Apercebi-me, depois, que o consórcio - “International Consortium of Investigative Journalists” – é financiado por entidades como: a Ford Foundation, o Carnegie Endowment, o Rockfeller Family Fund, a Kellog Foundation e a Open Society Foundation de Georges Soros...além de, claro, qualquer indivíduo que para lá queira enviar uns trocados.

O Irish Times, um dos jornais – para não mencionar nenhum português - que investiga o escândalo dos Panama Papers, revela números interessantes: 244 empresas com sede em Portugal e 23 particulares aqui residentes envolvidos no escândalo. A fuga de capitais, só no caso português, ascende a 25% da riqueza nacional. Soubémos há dias, pela TVI, que, além de Ilídio Pinho, Vilarinho e o presidente da BIAL, também um polícia em licença sem vencimento e um empreiteiro de vão de escada tinham uma offshore no Panamá. A coisa promete.

E que tem de mal o Panamá? Desde que George Bush mandou invadir aquele país, para derrubar o “ditador” Manuel Noriega, que os americanos com a tendência de esconder alguns dos seus proventos mudaram o destino dos mesmos: Singapura, Ilhas Virgens e Cayman, tal como Jersey, Guernsey e o Uruguai tornaram-se nos territórios eleitos, isto para não falar do Delaware, paraíso fiscal da pior espécie mas sempre protegido pela bandeira mais importante do mundo.

Os jornalistas estão de boa fé nesta investigação e creio que só fará bem ao mundo que continuem a divulgar o que tiverem que divulgar. Pelo menos metem medo aos que facilitam, aos que se acham impunes, aos que traficam e cometem outro género de crimes, muito piores que a mera evasão fiscal. Mas os jornalistas não podem ser ingénuos. Esta operação vem a lume quando dá jeito atacar o presidente sírio, o seu aliado Putin, pôr em sentido os sauditas e os homens dos emiratos.

As zonas francas não são todas iguais. Umas são, mesmo, mais iguais que outras. Seria bom que se fizesse alguma pedagogia e que se esclarecesse os políticos, os advogados, os economistas, os empresários, os beneficiários individuais destes regimes fiscais mais favoráveis para que não se dissessem tantos disparates e para que o mundo fosse fiscalmente mais justo. Seria bom dizer quem cria as zonas fiscais de tratamento mais favorável, quem monta as sociedades que nelas operam, quem as desmonta, quem contrata os directores que “dirigem” 1000 empresas em oito metros quasdrados e ganham 500 euros por mês, quem é contratado pelos países para criar a legislação, para a alaterar, para defender os que são acusados ….

Porque a culpa não pode morrer solteira e não é, decididamente, do polícia em licença sem vencimento que sonhava ser rico.

António Cunha Vaz