Com a proximidade das eleições autárquicas existe um novo nervosismo no ar, que urge combater com racionalidade para não perdermos a noção do que é, efetivamente, importante. No caso de Santa Cruz, tem vindo a ser desenvolvido um trabalho com resultados extremamente positivos ao nível do saneamento financeiro do município e que terão efeitos multiplicadores no futuro, nomeadamente na redefinição de novas políticas, de prioridades e de transparência e rigor na gestão do que é público e que, por isso mesmo, não deve ser manipulado ao sabor de interesses conjunturais. O mandado popular que cada político recebe é um voto de confiança que deve ser respeitado e gerido com responsabilidade. São estes os valores que têm norteado a minha ação enquanto presidente de Câmara. Daí que seja com verdadeiro desgosto e genuína preocupação que tenho vindo a assistir a movimentações que pretendem, por um lado, dar uma ideia errada daquela que tem sido a minha posição e a da minha equipa e, mais grave, que têm por objetivo travar os esforços que temos vindo a desenvolver. No âmbito de vender uma imagem que não é a nossa, destaco a risível tentativa de nos acusarem de não cumprir a lei e de termos falta de transparência. Convinha, neste domínio, o PSD sair da frente do espelho porque as suas palavras revelam apenas uma prática pessoal e intransmissível. O PSD reclama agora uma transparência que nunca praticou e à qual está tão desabituado que nem a reconhece quando a tem pela frente. Por isso, vêm pedir documentos que já têm em seu poder, porque, ao contrário do passado, correspondem a decisões sujeitas a votações tanto em sede da reunião de câmara, como em sede de Assembleia Municipal. E se a mentira neste domínio é já criticável, o que dizer das tentativas desesperadas e com recurso a tribunal para tentar impedir o Município de arrecadar a receita necessária, recorrendo ao seu património. Falo dos Processos Cautelares tentados pelo Governo Regional e pela Madeira Parques e que consubstanciam claros atos de absoluta má-fé, porque praticados por quem deveria defender o interesse público, em vez de defender os interesses de obscuros ‘boys’ e de igualmente obscuras associações, que mais não fazem do que garantir tachos milionários. A tudo isto ainda se vêm juntar pressões ilegítimas de associações de diversa ordem, animados pelo clima arremesso político que entretanto se vai formando como tempestade perfeita Sei que a luta neste ano e meio que nos separa das eleições autárquicas será dura e exigirá responsabilidade e transparência total. Não tenciono, contudo, alterar o rumo, ceder a pressões, nem entrar em jogos políticos que me afastem daquilo que considero ser o mais justo e correto. E o mais justo e correto é sanear a caótica situação financeira do município, lançar os alicerces de uma política sustentável e sobretudo garantir que não vou deixar nada para que o povo seja um dia chamado a pagar contas que não são da sua responsabilidade. Foi isto que esteve prestes a acontecer em Santa Cruz, foi isto que infelizmente aconteceu na Madeira.

Filipe Sousa Presidente da Câmara de Santa Cruz