Estudos mostram que, em média, quanto mais alto o nível educacional de um indivíduo melhor a sua saúde, maior a sua participação social, maior a probabilidade de ter um emprego e maior o salário que aufere. Os indivíduos com mais alto nível educacional apresentam maiores níveis de literacia e numeracia e têm maior produtividade. Por estas razões é importante sabermos como é que Portugal aparece nas estatísticas da Educação que são apresentadas todos os anos pela OCDE na publicação “Education at a Glance”.

Infelizmente os números não mostram nada de positivo para Portugal pois este apresenta uma das mais baixas percentagens de população dos 25 aos 64 anos que tem pelo menos o secundário completo. Apenas 43% dos portugueses nesta faixa etária possui este nível de educação, ou seja menos do que um em cada dois indivíduos o tem, enquanto na média dos países da OCDE mais de três em cada quatro indivíduos possui este grau (76%). Em 2014, dos 33 países da OCDE para os quais são apresentados dados, Portugal aparecia colocado na 31ª posição (com percentagens inferiores só a Turquia e o México). Se compararmos com os seis países melhor colocados neste indicador (República Checa, Estónia. Eslováquia, Polónia, Canadá e Estados Unidos) todos com mais de 90% da sua população com Ensino Secundário completo vemos que enquanto nestes países quase toda a população tem este nível de ensino, em Portugal nem metade da população o tem, como atrás referido.

A desculpa de Portugal ter vivido sob um regime ditatorial que via a educação do povo como algo desnecessário e até perigoso não justifica os números apresentados, pois para o grupo populacional dos 25 aos 34 anos, ou seja indivíduos nascidos já após a Revolução de 1974 e período revolucionário que se seguiu, só 65% destes jovens adultos possui o Secundário completo ficando aquém da média para os países da OCDE em 20 pontos percentuais e muito longe da quase totalidade da população jovem com este nível de ensino como é apresentado por 12 países com taxas superiores a 90%.

Conhecendo as cada vez menores competências com que os alunos chegam à Universidade, fácil me é imaginar as escassas competências que terão aqueles que não terminaram o Secundário e as dificuldades que irão encontrar para se enquadraram num mercado de trabalho cada vez mais competitivo e dinâmico. Estes jovens com pouca escolarização terão sorte se conseguirem empregos que lhes garantam o sustento, por isso o abandono escolar é uma fatura que todos iremos ter que pagar e acredito que muitos jovens com educação preferirão emigrar a ter de pagá-la. Passadas décadas sobre a Revolução de Abril a pergunta que se impõe é: Quando é que Portugal aprenderá que o investimento com maior rendibilidade é na Educação?

Pedro Telhado Pereira