Quando era miúdo, havia uma mercearia, na Rochinha, onde o dono era conhecido pelo 'só depois das três', por ser essa a resposta que se recebia para quase tudo. Vinha à tarde, depois das três. Só não se sabia o dia. Era quase como aquela frase 'fiado só amanhã' que lembra que é para pagar na hora.

'Só no fim do mandato' é pelo que se arrisca a ficar conhecido este governo regional. Uns sectores mais do que outros, é verdade. Há ideias, promessas, mas estamos na fase do projecto, do pré-projecto e da declaração de intenções e a concretização fica para... 'depois das três'.

É óbvio que ninguém espera que um hospital, se algum dia vier a ser construído, esteja pronto em seis meses. Nem em seis anos.

Mas há coisas que já são mais difíceis de justificar e a operação portuária é uma delas. Na campanha interna do PSD era prioridade, na campanha eleitoral continuou e agora... 'só no fim do mandato'. Ou seja, lá para 2019 poderemos pensar em ter um porto de carga que não seja o mais caro do país e que afecta de forma decisiva uma economia regional ligada à máquina. É muito tempo. Mesmo que sejam necessários quatro anos para mudar um sistema que roça a vergonha e tem décadas, não se pode dizer uma coisa dessas.

Também não é fácil perceber que, sendo claro que se quer mudar parte da equipa de directores regionais e de serviços, não se avance. 'Só no fim dos mandatos', parece ser a resposta.

Com praticamente um ano de mandato, já deveria haver certezas nas promessas mais importantes feitas aos madeirenses. Sob pena de parecer que já estão a fazer o programa para as próximas eleições e não a governar.