Esta frase foi proferida pelo Professor Nelo Vingada, na sua primeira passagem pelo Marítimo, algures em 2002. Aquela é a expressão máxima do que é a visão do Professor sobre o futebol, nomeadamente na busca do objectivo final que é a vitória. Pragmatismo máximo onde o que importa é o resultado final. Isto não significa que jogar bem ou para o espectáculo não seja também um objectivo, simplesmente trata-se de uma meta secundária que se sacrificará em prol do bem comum. É uma visão do jogo tão válida como qualquer outra. Relembro, por exemplo, das críticas que Mourinho foi alvo no seu primeiro ano em Inglaterra, onde o Chelsea ganhou quase sempre pela vantagem mínima os seus adversários. Mas no final da temporada era o campeão inglês. É uma visão pouco romântica do jogo e pouco atractiva para o espectador mas que inegavelmente traz resultados. Porém duvido que este futebol puramente cerebral, que pouco espaço deixa para a magia tão apelativa do futebol, seja assim tão eficaz como muitos defendem. É que a Grécia de 2004 ou os Mourinhos não surgem muitas vezes.

O jogo frente a Académica foi o melhor exemplo daquilo que o Professor quer da sua equipa. Concentração máxima, segurança e contenção. A vencer logo no arranque da segunda parte, a partir desse momento a equipa privilegiou o seu aspecto defensivo (embora seja algo que ainda não sabe fazer em condições de excelência), apesar de até ter tido uma ou duas oportunidades para fechar o resultado. Se a longo prazo não é propriamente algo que me fascine, hoje é perfeitamente compreensível. A luta pelos pontos é algo a que o Marítimo não pode fugir este ano e o Professor apanhou uma equipa que, apesar de alguns bons resultados alcançados com Ivo Vieira (e quando as coisas corriam bem, corriam mesmo bem, com futebol espectáculo à mistura), estava numa posição desconfortável na tabela e a atravessar um período de grande desequilíbrio emocional, agravado pela sequência inacreditável de péssimas arbitragens. Logo, mais do que jogar bonito, era preciso ganhar. Em Tondela a equipa foi capaz de responder a um jogo repleto de adversidades. Frente à Académica mostrou já uma equipa a caminhar para a estabilidade, que só as vitórias e o acumular de pontos trazem. Seguem dois desafios para mostrar serviço. Já na sexta-feira frente ao Paços de Ferreira – hoje claramente em quebra –, recebendo depois o Boavista em casa. Dois resultados positivos nestas partidas, para além de provar que esta equipa está em recuperação, pode empurrar definitivamente o Marítimo para fora dos lugares indesejados e para uma posição mais condigna com os seus pergaminhos.

De destacar a massiva presença de adeptos no Estádio do Marítimo. Quase 7 mil pessoas mais uma vez preencheram as bancadas, desta vez munidas dos seus cartões vermelhos e verdes. Os vermelhos foram simbolicamente exibidos à arbitragem portuguesa, como forma original de protesto ao tratamento que tem sido dado ao Marítimo ao longo desta temporada. Curiosamente (ou não) assistimos, possivelmente, à melhor arbitragem da temporada em jogos do Marítimo: isenta e sem casos. Os verdes a significar a esperança e a crença na equipa. Quem tem adeptos destes só tem razões para sorrir.

Luís Miguel Rosa, Advogado