A Zora Euro parece que não quer sair do limbo. Parece estar numa situação entre a vida e a morte. Perante isto Mario Draghi optou por dar uma injeção de adrenalina diretamente no coração do sector financeiro, com a esperança de reanimar a economia. O Presidente do Banco Central Europeu (BCE), não só fez o que andou a prometer no inicio do ano, como se empenhou a superar as espectativas que se foram criando desde o inicio do ano, em torno da politica monetária. Logo á partida, fez cumprir a promessa de penalização aos bancos que depositem os seus recursos no BCE, ao baixar a taxa de juro para esses depósitos. Se somarmos a isto o facto de também ter reduzido para 0% a taxa de juro de referencia, facilmente compreendemos que Draghi está empenhado em fazer chegar liquidez à economia real. Em segundo lugar, e uma medida que também mostra como Draghi está empenhado a fazer tudo o que é necessário para reanimar a Zona Euro, o BCE tira do bolso o programa de financiamento aos bancos para concessão de crédito (TLTRO), que desta vez pode ter como referencia a taxa de depósito, que está negativa. Na prática, o BCE vai pagar aos bancos para que estes recebam liquidez. Mas se pensávamos que o presidente do BCE já tinha esgotado todo o arsenal para combater a estagnação da economia europeia, estamos completamente enganados, pois a medida mais ambiciosa está no programa de compra de ativos. O BCE estendeu o programa de compra de ativos para 80 mil milhões de euros por mês. A lista de ativos já não se restringe ao sector financeiro, mas inclui também a compra de títulos de empresas não bancárias com bom grau de investimento. Eu pessoalmente tenho pena que estas medidas não tenham sido tomadas à 7 anos, em plena recessão, pois evitaria o descalabro da economia europeia e a falência de parte do sistema financeiro europeu. Claro que as medidas de ajustamento e as reformas efetuadas tinham de ser levadas a cabo, mas se tivessem sido apoiadas atempadamente com medidas como estas, estou seguro que o descalabro seria muito menor e a recuperação mais rápida. A zona euro não se está a contrair, mas a situação é delicada e incerta, pelo que, para além de tardia, estas medidas do BCE são extremamente necessárias para que possamos ver algum movimento mais ascendente nas estatísticas europeias.