Não é normal escrever às 02h45 no Hotel Marriot Lisboa, mas perante o que me aconteceu (a primeira vez em muitos anos) e a centenas de passageiros, que viajaram entre 18 e 20 de Fevereiro com destino ao Funchal, achei por bem passar para o papel a verdadeira odisseia vivida devido às condições atmosféricas adversas que se fizeram sentir nesta altura. O meu voo com destino ao Funchal - TP 1691 – tinha a partida prevista de Lisboa às 19h55. Contudo, só conseguimos descolar às 21h00, atraso este, justificado pelo comandante, pela chegada tardia do avião. Até aí tudo bem… Após um exausto dia de trabalho na sede da empresa em Portugal Continental (Azeitão) , regressava à Madeira onde me esperava um convívio com amigos e familiares no Restaurante Sai de Baixo, situado no Porto Novo, do meu amigo Carlinhos (mais madeirense que brasileiro), onde se come uma das melhores feijoadas à brasileira e se escuta música ao vivo num ambiente familiar, divertido e descontraído. Estava eu longe de prever que iria sobrevoar o restaurante Sai de Baixo durante cerca de 50 minutos e regressar de novo ao aeroporto de Lisboa. Mas, após várias tentativas de aterragem, o comandante informou que regressaríamos a Lisboa por questões de segurança, já que os ventos estavam fora dos limites. A atitude do comandante foi acertada e aplaudo mesmo a sua decisão, ou não estávamos nós a voar na nossa companhia de bandeira que, queiramos ou não, está no coração de todos os Madeirenses. Chegados a Lisboa por volta das 00h35m, um pouco “desnorteados”, estava à nossa espera um funcionário da TAP com um trato excecional, para apoio aos passageiros e encaminhar para o autocarro com direcção a um hotel. O hotel escolhido foi o Marriott Lisboa, pertence “só” à maior cadeia hoteleira do mundo. E eu digo isto porquê? Porque não é fácil acolher 200 pessoas numa recepção de um hotel às 02h00, cansadas de uma viagem atribulada e, em alguns casos, já na segunda e terceira vez que tentavam chegar ao Funchal sem sucesso. É de louvar todos os funcionários do Marriott, que foram, sem exceção, inexcedíveis, desde a portaria, recepção, restaurante e limpeza, tratando-nos com uma simpatia extrema como se fossemos clientes frequentes da cadeira Marriott há muitos anos. Aqui está a diferença! É assim que se constroem as grandes marcas, com pessoas que vivem com paixão a marca e que dão tudo pelo local onde trabalham. Por isso se tornam os maiores do mundo. Um exemplo a seguir para aqueles senhores que se julgam os maiores no ramo hoteleiro mas que têm um serviço péssimo. Devem parar e aprender com os casos de sucesso como é o caso do Marriott e outros. O regresso ao Funchal foi sábado, dia 20, no voo TP 3841, com partida às 15h30 de Lisboa. O comandante informou que estava muito vento e, caso não conseguíssemos aterrar, voltaríamos de novo a Lisboa. Sobrevoamos cerca de 35 a 40 minutos e lá conseguimos aterrar por volta das 17h30m, com uma aterragem extremamente difícil com o vento a dar “luta” mas com segurança máxima. Quero aqui elogiar novamente o comandante e toda sua tripulação, que foram inexcedíveis. No final do voo, lá estava o comandante e a sua tripulação, com um sorriso no rosto, a agradecer por termos voado pela TAP, mesmo havendo passageiros que já era a terceira vez que tentavam aterrar no aeroporto do Funchal. “Claro que sim comandante, que vamos voltar a voar com a TAP”, pelos seus funcionários, quer sejam de terra ou de bordo. São com estas atitudes que se constroem as marcas e a TAP não foge à regra, mesmo havendo quem queira destruir a marca. “O que é Português é bom!” O que realmente me preocupa é a incerteza na privatização da TAP, fazendo desta venda um autêntico jogo do Monopólio, que agora vende, depois já não se vende… Os governos, sejam eles de que cores forem, têm que dialogar com todas as partes interessadas, incluindo os trabalhadores, antes de tomarem decisões. Não quero saber se os trabalhadores da TAP ganham bem ou mal porque se questionarmos em todas as profissões, ninguém ganha bem. Todos sem excepção, achamos que ganhamos mal, nunca vi ninguém a querer ganhar menos. Existem profissões com maior ou menor grau de responsabilidade. No entanto, quando surge um factor de risco elevado e temos que tomar 9 decisões num segundo, é de bom tom que os profissionais tenham a “cabeça fresca” e que acima de tudo estejam lúcidos nas suas decisões. E mais não digo…
Duarte Agrela Gestor comercial