João Freitas “Qualidade do trabalho em Portugal: porque estamos tão mal?”, é o título de um artigo publicado no Expresso online (11 Fev.) e que refere algumas das conclusões que “fazem parte de uma base de dados sobre a qualidade do trabalho nos países-membros da OCDE”, publicada o mês passado, “e que parte de três grandes indicadores: a segurança no mercado de trabalho, a qualidade dos ganhos (e a forma como contribuem para o bem-estar do trabalhador) e o ambiente de trabalho e desgaste que os trabalhadores vivem no seu emprego.”

Do parágrafo inicial, que cito: “Somos o terceiro dos 34 países da OCDE onde os trabalhadores correm maior risco de ficarem desempregados (e por mais tempo). Só há mais três países com um mercado de trabalho mais inseguro que o nosso, 46% dos trabalhadores estão sob desgaste e mau ambiente no emprego e registámos um dos piores agravamentos do apoio económico dado a quem fica desempregado. Entre quem trabalha, os ganhos estagnaram e são desigualmente distribuídos. Como é que isto aconteceu? E porquê?”

Neste contexto, lembrei-me de uma entrevista do Expresso a Humberto Dores (22 Nov 2014), Vice-Presidente da Schnellecke Logistics, “a holding de uma empresa familiar alemã, especializada em serviços logísticos integrados avançados e na fabricação e montagem de componentes para a indústria automóvel, com cerca de 20 000 trabalhadores espalhados por meia centena de fábricas a nível mundial.”

Ele foi selecionado para o cargo entre 4 candidatos alemães. No seu currículo: os 30 anos vividos na Alemanha, onde fez a licenciatura e mestrado e trabalhou 10 anos numa multinacional, período em que trabalhou em vários países do mundo. Disse que em muitas das empresas que lhes foram confiadas, a ele e à sua equipa, que tinham problemas de rentabilidade e de performance técnica e sempre os conseguiram resolver.

“Existem empresas em Portugal que são mais produtivas do que as alemães. Depende da liderança, dos graus de liberdade para se tomarem decisões e do ambiente que se cria, da liderança para as pessoas estarem motivadas.”, afirmou.

Da sua experiência, de 25 anos, em Portugal, diz que o país “ainda hoje continua a ter muito fraco tecido de técnicos. Temos alguns engenheiros, mas os cursos profissionais são muito arcaicos. Os bons profissionais são autodidatas. O nível de um país mede-se pelos elos mais fracos, não pelos elos mais fortes. Temos bons engenheiros mas não é isso que faz um país. É a massa alargada do pessoal que está nas empresas, no plano intermédio.”