Miguel Alves É tempo de quaresma Sei disso, porque oiço dizer. Para mim, dá-me na mesma… Sou um mísero católico Que nem sabe, o que é um acólito. Dizem que sou praticante Até pode calhar… Ou talvez não sou. Ando aí por andar. Tenho sido tão pecante Mas ninguém me confessou… Verdade seja… Poderei não ir na igreja Mas na política também não vou. Eu não acredito em ninguém Nem me apetece votar Para não me identificar Com os tachos, de alguém Não sou cara de pau Mas às vezes fico sisudo Quando vejo tudo mau E na política vale tudo Pobre mundo … Enganos e desenganos Pegaram com um Cristo Que já morreu, há dois mil anos Visto bem a fundo… Que poderá acontecer -O homem já não está cá. Não se poder defender Nem au menos, vamos lá Como é que vamos saber?.. Há p´rai uns intelectuais Que tudo sabem entender Arranjaram-lhe dois pais E o povo sem perceber. Eu até me sussurro… Eles erraram demais E o povo é que é burro. Perdoai-lhes Senhor, Para que não andem ao murro Porque se assim for Vai tudo para o estupor. Como naqueles países Das caricaturas infelizes Que humilhação… Não respeitar sentimentos Seja qual for a religião Só para tirar proventos!.. Quer-se- queira, quer não Aqui, na China, ou no Paquistão Religião, é religião. Dizem que certo dia, Sobre o analfabetismo português Salazar assim respondia À questão, que o jornalista lhe fez “É um povo lavrador Não precisa mais valor” Os ventos viraram Só, que nem tudo virou As moscas mudaram Mas, a trampa ficou Emerdaram-se e, não foi pouco. Depois do que aconteceu Como disse o outro “O burro sou eu” Não gosto de falar assim Mas às vezes dá gosto Atirar com verdades, enfim… Quando se acerta no rosto. Senhor… Não há raio que parte isto Por favor… Deixem o Cristo