Esta semana ficou marcada pela viagem aos Açores de uma comitiva do Governo Regional da Madeira. Mas enganam-se aqueles que pensam que foi uma viagem para descontrair, porque os maus alunos foram lá fazer um estágio profissional, remunerado, com a duração de uma semana e com tudo pago. Um estágio profissional sobre como governar: governar bem e governar com resultados.

Vejamos, esta comitiva foi lá saber qual é o “ouro” que aquele arquipélago tem, para conseguir ter o ordenado mínimo estabelecido no valor de 556,50€, quando na Madeira é de 540€. De que “ouro” é banhada aquela ilha, para conseguir o gás (botija) a 18€, pois na Madeira é a 25€. O combustível nos açores custa, preços médios, 1,41€ e na Madeira 1,59€. Que el dorado tem os Açores para os açorianos terem o IRS, na categoria mínima, a 10,15% e nós a 14,5%. As empresas nos açores têm o IRC, na taxa I, a 16,8%, mas na Madeira é a 21%. O IVA com uma taxa normal de 18% e nós com 22%. Que el dorado existe nos Açores para haver estas grandes diferenças? A resposta para mim é simples e só pode ser uma de duas: ou na Madeira as pessoas são mais ricas e vivemos muito bem, por isso podemos pagar mais; ou então a única e grande diferença está na política - na Madeira o PSD governa e nos Açores o PS.

Mas mais do que descobrir as diferenças entre os Açores e a Madeira, é mesmo a experiência que este estágio proporcionou aos nossos governantes que foi importante, para poderem perceber a trapalhada que andam a fazer na Madeira. Começamos pelo Secretário Regional da Economia, Turismo e Cultura, que de trapalhão já ficou apelidado, pela “cópia” do modelo de viagens aéreas dos Açores. Já devia estar a pensar na organização do Carnaval Trapalhão... Esperemos que uma experiência in-loco seja suficiente para emendar os males deste modelo, porque quem paga somos nós.

O Secretário dos Assuntos Europeus desta vez teve direito ao passeio, bem como a Secretária Regional do Ambiente. Quem também quis marcar presença foi o Secretário Regional da Agricultura: foi aos Açores à procura do Avião Cargueiro e tentar perceber como é que os Açores exportam ananás, leite, chá e carne e nós andamos há mais de 10 anos a tentar exportar maracujás. Também tentou saber como é que os Regulamentos de Acesso aos Fundos da União Europeia estão prontos desde 2014, porque nós em 2016 ainda andamos a ver navios… Ou melhor, à espera de um, pelo menos.

Para Miguel Albuquerque, que disse na Assembleia Regional que o complemento de apoio aos idosos é da competência do Governo da República, fica a dúvida: será que conseguiu perceber como é que o Governo Regional dos Açores consegue dar o complemento aos açorianos? Estranho a não inclusão da Secretária dos Assuntos Sociais na comitiva: bem que poderia assessorar o nosso Presidente do Governo Regional nesta matéria, mas ainda há outros “cabazes” para distribuir…

Olavo Câmara