O prazo de duração máxima do inquérito ao caso de espionagem do agente do SIS Frederico Carvalhão Gil foi alargado após ter sido “declarada excecional complexidade do processo”, revelou hoje a Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Foi declarada a excecional complexidade do processo, o que (...) tem por consequência o alargamento do prazo para medidas de coação detentivas e também do prazo de duração máxima do inquérito”, disse a PGR, em resposta à agência Lusa.

A informação surge depois de o Diário de Notícias avançar hoje que Itália está a pôr em risco a investigação ao espião português do Serviço de Informações de Segurança (SIS) Frederico Carvalhão Gil, ao não enviar as provas apreendidas ao agente russo, a quem alegadamente foram vendidos segredos da NATO.

Volvidos quase seis meses sobre a detenção do agente do SIS em Roma, o DN adiantava que os magistrados do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP),que dirigem a investigação, haviam requerido ao Tribunal Central de Investigação Criminal (TCIC) uma declaração de “excecional complexidade” do processo, por forma a dilatar de seis para 10 meses o prazo máximo para conclusão do inquérito.

Frederico Carvalhão Gil foi detido no início de maio, em Roma, no âmbito de uma investigação da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da PJ, e extraditado para Portugal, estando desde junho em prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

Nas buscas efetuadas às suas casas em Portugal foram encontrados documentos confidenciais do SIS e da NATO, entre outra matéria confidencial.

Entretanto, as autoridades italianas acabaram por libertar o agente russo detido em Roma, não permitindo que fosse interrogado pelos investigadores portugueses.