O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, defendeu hoje o norte da ilha como referência turística, desde que sejam acauteladas as características naturais da paisagem.
“O norte, do meu ponto de vista, não tem de ter receio quanto ao futuro. Eu acho que nós temos características de beleza natural, enquadramento paisagístico que, só por si, é uma grande oferta turística”, afirmou o governante na apresentação do primeiro espumante integralmente produzido na Madeira.
Miguel Albuquerque respondia desta forma ao apelo do autarca local, Emanuel Câmara, que tinha pedido mais atenção à promoção turística do norte da ilha.
Para o presidente do Governo, o que importa, acima de tudo, é tratar da paisagem como forma de atracção turística.
“O que é que precisamos? Precisamos, na verdade, de continuar a manter as características de equilíbrio ecológico e paisagístico e natural que o norte oferece”, afirmou.
Miguel Albuquerque esteve presente na apresentação do primeiro espumante integralmente produzido e engarrafado na Madeira, pela empresa Seixal Wines, de nome Terras do Avô.
Duarte Caldeira é o ‘avô’ da Seixal Wines, um vinho que tem o coração na Bairrada e é fruto de um sonho de sete anos.
“Eu, em 2007, fiz o primeiro ensaio de espumante, com um tipo de leveduras diferente daquilo que se utiliza agora”, explicou à Lusa, mas a saída da empresa que detinha com outros sócios acabou por parar o projecto, porque os que ficaram “não quiseram continuar”.
Duarte Caldeira afirma que o “coração do espumante é a Bairrada”, pelo tempo de aprendizagem e de descobrimento que o levou ao centro do país e pela opinião de Paulo Laureano, o enólogo que ajudou.
“Ele respondeu-me que estava admirado como é que ainda ninguém se tinha lembrado de produzir espumante na Madeira, uma vez que tínhamos uma qualidade de uvas excepcionais para produzir o espumante”, afirmou.
A principal característica das castas brancas tradicionais madeirenses usadas neste espumante, o verdelho e o sercial, é a sua acidez “fantástica, que é um dos argumentos bons para a produção deste tipo de vinho”.
O conselho dado por Paulo Laureano a Duarte Caldeira foi o de engarrafar metade da produção - cerca de 1.200 garrafas - e deixar o restante da produção, num número idêntico, para o próximo ano.
O enólogo disse à Lusa que o espumante “pode surpreender, até pelo tempo que pode ficar em garrafa”, tendo considerado o vinho “fresco” com um futuro para este tipo de produção “de elegância”.
