Para o Grupo Parlamentar do PSD-M, o Orçamento de Estado (OE) para 2017, apresentado recentemente, no que diz respeito às pretensões da Madeira, redonda-se “numa enorme desilusão”. “Desilusão é o termo que temos de usar para caracterizar este Orçamento”, proferiu Carlos Rodrigues, porta-voz da audiência marcada exactamente para tecer algumas considerações acerca do OE.

O financiamento (ou falta dele) que acabou por não estar incluído no OE 2017 foi o assunto mais abordado pelo deputado. Mas antes, ainda teceu críticas aos apenas 3,5 milhões de euros inscritos no OE, em vez dos “cerca de 5,5 milhões de euros”.

“Desde logo, os apoios à reconstrução prometidos e anunciados pelo primeiro-ministro aquando dos acontecimentos do passado mês de agosto, que ficaram aquém dos compromissos assumidos”, aponta.

No entender do PSD, a situação mais grave e penalizadora é a não inscrição de qualquer verba para a construção do novo hospital da Madeira. “Existem muitas pessoas a tentar justificar aquilo que não é passível de ser justificado. Não há qualquer justificação plausível para que essa omissão tenha ocorrido”, considera Carlos Rodrigues.

“Relembramos que todas as posições de todos os intervenientes políticos com uma palavra a dizer sobre este assunto são unânimes. A Assembleia Legislativa da Madeira apoia em absoluto, o Governo da Madeira apoia esta obra e quer esta obra que se realize. Aliás, já tem garantidas todas as verbas da sua responsabilidade naquilo que lhes diz respeito para que a obra possa avançar...”

O porta-voz da iniciativa sublinhou que para os social-democratas, o OE para o próximo ano “é a total desilusão e o completo desapontamento em relação aos compromissos que foram assumidos”.

“Não aceitamos que essa mesma desilusão e as palavras que os madeirenses apontam à não inscrição de verbas no Orçamento de Estado seja apelidada por alguns de ‘histerismo’, que foi aquilo que nós ouvimos ao longo deste fim de semana”, acusa.

O novo hospital “não é uma questão partidária e não pode ser usada como arma de arremesso político”, adianta Carlos Rodrigues, sublinhando que “reduzir esta questão a politiquices de segunda é não respeitar, acima de tudo, a vontade e a necessidade dos madeirenses”.

“Esperemos que o bom senso prevaleça por quem de direito e que esses mesmos compromissos que foram assumidos ao longo de todo este tempo sejam honrados até à votação final global do Orçamento de Estado”, continua.

Contudo, caso isso não aconteça, o PSD é da opinião “que não é tempo de chorar sobre o leite derramado”, sendo necessário encontrar uma solução. “Porventura mais complicada, mais trabalhosa, mas um facto para nós é incontornável é que a saúde, o bem-estar e a vida dos madeirenses não podem estar nunca à mercê das agendas pessoais ou das agendas particulares dos decisores políticos que estão à frente dos destinos do país”, disse.

Carlos Rodrigues acusa, por fim, o Governo da República de não dar explicações relativas a esta matéria, tendo em conta que “o projecto foi entregue em tempo útil, com os elementos que eram necessários, cujos cinco requisitos estavam completamente preenchidos”.

“Nem existem explicações por parte dos partidos que sustentam este Governo e que também eles manifestaram o apoio incondicional à inscrição do hospital neste Orçamento”, remata.