Investigadores da Universidade do Porto participam num projecto europeu que visa reforçar o perfil dos docentes e educadores que trabalham com jovens vulneráveis e apoiar as escolas na gestão do abandono escolar precoce.
Em declarações à Lusa, a investigadora Eunice Macedo indicou que o projecto ‘LINK’ Learning in a New Key: Engaging Vulnerable Young People in School Education aborda “a aprendizagem continuada e a frequência escolar de jovens na Europa, em situação de desvantagem na educação formal, desafiados pelos seus estados emocionais e mentais e por interações sociais pobres”.
Pretende-se também explorar “entendimentos teóricos e saberes práticos”, desenvolvidos a nível transeuropeu, através da sua aplicação com docentes, formadores e educadores nas salas de aula, acrescentou a professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), instituição responsável pelo projecto a nível nacional, através do Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE).
No caso português, os participantes são jovens que saíram da escola sem completar o 6.º ou o 9.º ano e que frequentam actualmente a Escola de Segunda Oportunidade de Matosinhos (ESOM).
Tendo como pressuposto que a qualidade da educação e as competências dos docentes e formadores são determinantes na diminuição do abandono escolar precoce, os investigadores esperam, com este estudo, “criar oportunidades de aprendizagem de elevada qualidade” bem como “melhorar os processos educativos e o bem-estar das crianças e jovens”.
A experiência profissional anterior dos professores e formadores, os métodos que actualmente usam na educação e formação, os problemas enfrentados na prática relacionados com os alunos, o papel dos laços emocionais na aprendizagem e a vontade de experimentar novas estratégias, particularmente através da música e da arte dramática, são os tópicos explorados.
“Ao nível dos investigadores, docentes e terapeutas vê-se um progresso muito grande na capacidade relacional e de viver a interculturalidade, de percebermos os diferentes pontos de partida, quer teóricos, quer metodológicos, quer da própria experiência de vida pelo facto de sermos de diferentes nacionalidades e áreas científicas”, disse a coordenadora.
No que respeita aos jovens que participam no ‘LINK’, segundo Eunice Macedo, estes “valorizam imenso a possibilidade de fazer parte de um trabalho artístico que lhes permite sentirem-se melhor com eles próprios”.
Do projecto faz ainda parte o Estudo de Impacto, no qual vão ser avaliados, “efectivamente”, os efeitos do trabalho realizado, envolvendo uma dimensão quantitativa e outra qualitativa.
“Este não é só um trabalho de investigação, é também de intervenção, que deve ser avaliado através de um processo contínuo e de forma cíclica”, indicou Eunice Macedo, que acredita não ser “possível avançar nem na investigação nem em qualquer forma de trabalho se não houver uma avaliação adequada e uma responsabilização dos participantes”.
Para além de investigadores portugueses, participam no ‘LINK’ profissionais e instituições de educação de Inglaterra (coordenador geral do projecto), de Itália e da Polónia.
Financiado pelo programa Erasmus+, o projecto teve início em setembro de 2015 e tem a duração de dois anos.
