Por estes dias o mais comum é que todos, ainda embrenhados no espírito festivo, saudemos os nossos conhecidos e por vezes desconhecidos com os votos de um Bom Ano. Muitas vezes até parece que, pela simples mudança de calendário, as coisas como que por arte mágica passam a ser diferentes. Aliás, as habituais promessas que fazemos aos outros e a nós próprios sobre algumas mudanças que pretendemos implementar, normalmente acabam por ruir à primeira dificuldade ou resistência …

Mas como “sonhar” ainda não paga imposto (embora acreditemos que alguns “crânios”, especialistas em meter a mão no bolso alheio, não desdenhassem fazê-lo) talvez seja uma boa altura para, com o pés bem assentes na terra, dar por um lado azo à imaginação e, por outro, fazer análises prospetivas que nos auxiliem a tomar decisões rentáveis.

Talvez seja um exercício interessante formular algumas perguntas que nos ajudem a não cair, seja no conformismo típico de comer e calar, seja no permanente estado de reclamar por tudo e por nada.

Será que fará sentido questionarmo-nos, por exemplo ao nível do sistema educativo e do sistema desportivo, sobre a rentabilidade daquilo que fazemos e nos obrigam a fazer? Que tipo de escola/clube e de aulas/treinos gostaríamos de ter? Que avaliações e competições seriam mais adequadas?

É claro que pensamos que faz sentido. Contudo, temos de primeiro definir, por exemplo, que tipo de Homem queremos formar e que meios temos ou podemos vir a desenvolver para o fazer. É que, sem saber para onde queremos ir, ou pelo menos sem conhecer diferentes alternativas, dificilmente chegaremos a algum lugar sem custos muito elevados, a não ser que sejamos bafejados por uma boa dose de sorte…

O que está em jogo é ser capaz de formar pessoas sem lhes castrar o prazer da descoberta, a capacidade de sonhar e empreender...o que não deve ser desonestamente confundido com o fazer castelos no ar e viver nas nuvens.

Porém, quando o empirismo lógico ainda reina nas nossas universidades e na formação que as mesmas promovem, facilmente se perceberá que o processo pedagógico que predomina nas escolas e nos clubes ainda demorará muito tempo a conseguir sair do espartilho cartesiano. Isto apesar de alguns profissionais, nos mais variados âmbitos e em diferentes níveis do processo de tomada de decisão, não se cansarem de tentar remar contra a maré. Mas, convenhamos que, por vezes, demasiadas vezes, as dificuldades que se colocam para vencer certas resistências são tão grandes e consomem tanto tempo e esforço que acabam por desmotivar e ser um convite ao deixar andar e ao conformismo.

Se nada fizermos bem podemos continuar a lamentar o nosso “triste fado” e, todos os anos, com uma crença renovada, voltar a subir para a cadeira com doze passas na mão…

Ops… já ia desejar um Bom Ano…

Hélder Lopes