Como sempre a luz, a cor e o som do espetáculo de fogo-de-artifício no anfiteatro do Funchal deram as boas vindas ao ano novo, onde milhares de pessoas de olhos postos no céu, esperando um novo ano melhor do que o anterior. Por isso é tempo de fazer um balanço, sabendo que a história deve ser contada de trás para a frente e não ao contrário. Partir do presente para ver e julgar o passado trás sempre riscos dum olhar imperfeito, porventura desfocado, sobre fatos e pessoas. Mesmo assim todo o começo do ano nós, polícias, e em especial a ASPP/PSP/Madeira e os seus associados, renovamos a esperança de que alguns problemas crónicos da nossa instituição possam, finalmente melhorar. Esperamos que a justiça disciplinar puna independentemente da classe ou categoria profissional, que a obra de infraestruturas das supostas e prometidas novas esquadras saiam do papel e que áreas críticas como a saúde (SAD/PSP), tabelas remuneratórias, concursos de promoção, pré-aposentação, fardamento, suicídios, lei orgânica, regulamento disciplinar, consagração da profissão de risco e desgaste rápido, a criação de mecanismos que permitam fiscalizar a higiene, saúde e segurança no local de trabalho, a revisão da Lei Sindical, entre outros, finalmente mostrem alguma evolução. No caso de 2015, a expectativa era ainda maior embora tivesse sido relevante para os profissionais da PSP a aprovação do novo Estatuto Profissional, mesmo não sendo o ideal, é um diploma que corrige algumas injustiças e arbitrariedades. Pois o ano acabou e muito ficou por fazer, pelo que os polícias terão que renovar as esperanças para 2016. No ano de 2015 pode olhar-se para a Polícia de Segurança Pública de duas maneiras: ou como uma pista de atletismo, onde se desenrola uma corrida sem distância mas com obstáculos ou então como um relógio de ponteiros que pode parar a qualquer momento com múltiplas e variadas incógnitas, que pode produzir um resultado imprevisível, se não for substituída a pilha. Um conjunto de circunstâncias faz do ano de 2015 um tempo excecional na Polícia, rico em riscos e imprevistos, internos e externos, com avisos e alertas, tendo o primeiro deles, o tiro de partida, se quisermos, os acontecimentos ocorridos em maio junto ao Estádio de D. Afonso Henriques em Guimarães, com a intervenção policial logo após o términus de um jogo de futebol. Desde então esta intervenção policial dominou de forma obsessiva os meios de comunicação social em Portugal, pondo a nu divergências longamente dissimuladas contra a Instituição PSP. Nós perguntamos se a responsabilidade foi só da PSP? Os polícias podem falhar em algumas coisas, mas algo mudou e como em todas as mudanças não se volta atrás, jamais será possível, na verdade, apagar aquelas imagens. Não era preciso o nosso País ter assistido com tristeza à humilhação que a PSP sofreu, sendo exposta ao achincalhamento e ao desrespeito justamente num período em que a instituição e os seus sindicatos passaram um período menos bom a nível interno, devido às prolongadas e duras negociações com o então Governo sobre o nosso Estatuto, enquanto os seus profissionais estavam e estão como sempre na linha da frente da segurança da sociedade. Estão nas ruas, no confronto direto, na face mais cruel e violenta do combate a criminalidade. Será que quem ataca acredita que somos capazes de viver sem a Polícia neste ambiente de “desespero” que vive o povo? Aqueles que querem cobrar o dente por dente, o olho por olho, a morte com morte, já pararam para refletir e quantificar quantos polícias já foram agredidos e ofendidos defendendo a sociedade? Quando criticam a instituição PSP, já refletiram sobre o perigo permanente em que se transformará o Estado com os nossos principais agentes de segurança achincalhados? Não podemos continuar a humilhar e a agredir a coragem destes homens e mulheres. A instituição Polícia com a sua história centenária, é muito maior e mais importante do que este momento. E o que precisamos é que ela tenha força, moral e respeito para continuar a fazer o árduo trabalho de se pôr em risco para garantir a segurança do cidadão em 2016 e nos anos seguintes. Votos de um Bom Ano
Adelino Camacho Dirigente Nacional e Coordenador Regional da ASPP/PSP