Sejamos sérios, não é um candidato livre. Está refém... A campanha para as eleições presidenciais pouco interesse tem suscitado nos eleitores. Há candidatos a mais e debate esclarecido a menos. Para o bem e para o mal há uma “estrela da companhia”, Marcelo Rebelo de Sousa, e, só depois, os outros todos. Dez, no total. Penso que não serei excessivo se afirmar que a generalidade das pessoas se está nas tintas para quem vai suceder a Cavaco Silva no Palácio de Belém. Nem saberá o nome da maior parte dos candidatos, muito menos que fazem ou fizeram na vida. Ganhará a abstenção, dúvidas houvesse. No meio do folclore típico do momento ouvimos um sotaque familiar. Edgar Silva avançou como candidato do Partido Comunista, numa eleição para um cargo unipessoal. E, sejamos sérios, não é um candidato livre. Está refém do pensamento decretado pelo comité central do “partido”, movendo-se num programa que é a cartilha do “partido”. Edgar Silva foi um autêntico rebelde nos anos de 1990, numa terra onde o respeitinho pelo senhor governo imperava a cada esquina. Abalou consciências, rebelou-se contra a hierarquia da Igreja Católica, a que pertencia como sacerdote, andou com os “miúdos das caixinhas”, fundou o MAC (Movimento do Apostolado das Crianças). Teve, sem dúvida, um importante papel a nível social, denunciando muitos dos podres que pulverizavam a sociedade de então, numa Madeira que fingia que não existia miséria e que não havia prostituição infantil. O padre Edgar bradou contra o regime e tentaram-no crucificar por isso. A sua voz fez eco. O resto do percurso é feito já no PCP. Sinceramente esperava maior potência, clareza de ação e de ideias da sua parte nesta batalha. A sua simpatia e afabilidade naturais não chegam. Caiu na esparrela, na casca de banana em que sistematicamente todos os comunistas se deparam nestas lides das campanhas eleitorais. Custa-lhes horrores reconhecer, de forma direta e sem jogos de semântica que há países no mundo, governados por camaradas seus, que são ditaduras da pior espécie. A encabeçar a lista, a Coreia do Norte. “Afirmar abril. Cumprir a Constituição” – o slogan da candidatura de Edgar, não se encerra na fronteira com Espanha. É perfeitamente legítimo querer saber se um dos candidatos ao mais alto cargo da Nação pensa não só sobre a Coreia do Norte, mas sobre Angola, Cuba, Venezuela. O Presidente da República tem uma palavra importante na política externa do país e no relacionamento com os outros estados. Será que Edgar Silva é capaz de se distanciar do pensamento do seu partido e dizer, sem tibiezas e subterfúgios linguísticos, o que pensa afinal deste assunto? Se para si liberdade e respeito pelos direitos humanos aplica-se apenas a uns e não a outros? A sua luta de muitos anos contra os abusos do poder na Região não é compatível com esta não posição, mesmo que esteja a fazer uma comissão de serviço ao partido. Edgar Silva não vai vencer as eleições nem passará à segunda volta das presidenciais. Sabe isso. Mas mesmo assim é pena que não esteja a conseguir mobilizar para um debate que convença ou pelo menos tente convencer que as pessoas votem no dia 24. Não chega o discurso recorrente de condenação do grande capital, da exaltação da luta dos trabalhadores, do peixe graúdo e do peixe miúdo. Sabe a pouco e, infelizmente, já se tornou numa redundância do PCP. Apesar da campanha sem chama nem alma e de nenhum dos candidatos apresentar o currículo dos peso-pesado do passado, não deixe de cumprir com o seu dever de cidadania de hoje a oito dias. P.S.: O destino turístico Madeira nunca soube comunicar tão bem. O Governo Regional e a Câmara Municipal do Funchal (excelente o novo vídeo de promoção da cidade que se partilha nas redes) estão de parabéns pelas últimas iniciativas que destacam uma região atrativa, dinâmica, de qualidade e que sabe vender o que de melhor tem. Roberto Ferreira

Sejamos sérios, não é um candidato livre. Está refém...

A campanha para as eleições presidenciais pouco interesse tem suscitado nos eleitores. Há candidatos a mais e debate esclarecido a menos. Para o bem e para o mal há uma “estrela da companhia”, Marcelo Rebelo de Sousa, e, só depois, os outros todos. Dez, no total. Penso que não serei excessivo se afirmar que a generalidade das pessoas se está nas tintas para quem vai suceder a Cavaco Silva no Palácio de Belém. Nem saberá o nome da maior parte dos candidatos, muito menos que fazem ou fizeram na vida. Ganhará a abstenção, dúvidas houvesse. No meio do folclore típico do momento ouvimos um sotaque familiar. Edgar Silva avançou como candidato do Partido Comunista, numa eleição para um cargo unipessoal. E, sejamos sérios, não é um candidato livre. Está refém do pensamento decretado pelo comité central do “partido”, movendo-se num programa que é a cartilha do “partido”. Edgar Silva foi um autêntico rebelde nos anos de 1990, numa terra onde o respeitinho pelo senhor governo imperava a cada esquina. Abalou consciências, rebelou-se contra a hierarquia da Igreja Católica, a que pertencia como sacerdote, andou com os “miúdos das caixinhas”, fundou o MAC (Movimento do Apostolado das Crianças). Teve, sem dúvida, um importante papel a nível social, denunciando muitos dos podres que pulverizavam a sociedade de então, numa Madeira que fingia que não existia miséria e que não havia prostituição infantil. O padre Edgar bradou contra o regime e tentaram-no crucificar por isso. A sua voz fez eco. O resto do percurso é feito já no PCP. Sinceramente esperava maior potência, clareza de ação e de ideias da sua parte nesta batalha. A sua simpatia e afabilidade naturais não chegam. Caiu na esparrela, na casca de banana em que sistematicamente todos os comunistas se deparam nestas lides das campanhas eleitorais. Custa-lhes horrores reconhecer, de forma direta e sem jogos de semântica que há países no mundo, governados por camaradas seus, que são ditaduras da pior espécie. A encabeçar a lista, a Coreia do Norte. “Afirmar abril. Cumprir a Constituição” – o slogan da candidatura de Edgar, não se encerra na fronteira com Espanha. É perfeitamente legítimo querer saber se um dos candidatos ao mais alto cargo da Nação pensa não só sobre a Coreia do Norte, mas sobre Angola, Cuba, Venezuela. O Presidente da República tem uma palavra importante na política externa do país e no relacionamento com os outros estados. Será que Edgar Silva é capaz de se distanciar do pensamento do seu partido e dizer, sem tibiezas e subterfúgios linguísticos, o que pensa afinal deste assunto? Se para si liberdade e respeito pelos direitos humanos aplica-se apenas a uns e não a outros? A sua luta de muitos anos contra os abusos do poder na Região não é compatível com esta não posição, mesmo que esteja a fazer uma comissão de serviço ao partido. Edgar Silva não vai vencer as eleições nem passará à segunda volta das presidenciais. Sabe isso. Mas mesmo assim é pena que não esteja a conseguir mobilizar para um debate que convença ou pelo menos tente convencer que as pessoas votem no dia 24. Não chega o discurso recorrente de condenação do grande capital, da exaltação da luta dos trabalhadores, do peixe graúdo e do peixe miúdo. Sabe a pouco e, infelizmente, já se tornou numa redundância do PCP. Apesar da campanha sem chama nem alma e de nenhum dos candidatos apresentar o currículo dos peso-pesado do passado, não deixe de cumprir com o seu dever de cidadania de hoje a oito dias. P.S.: O destino turístico Madeira nunca soube comunicar tão bem. O Governo Regional e a Câmara Municipal do Funchal (excelente o novo vídeo de promoção da cidade que se partilha nas redes) estão de parabéns pelas últimas iniciativas que destacam uma região atrativa, dinâmica, de qualidade e que sabe vender o que de melhor tem.

Roberto Ferreira