Juvenal Pereira - Amigos, já que estamos aqui reunidos, com saúde e algum dinheiro no bolso, vamos brindar para que Deus nos dê uma feliz continuidade de ANO NOVO! - Está certo, se bem que, meu amigo, em melhoras, eu não acredito. - Em parte tens razão. O mundo está em profunda convulsão. - Aquilo que me tem dito minha avó Mafalda eu até tenho medo de dizer em voz alta. Ela bem me diz ao ouvido que a maior parte dos países do mundo estão nas mãos de verdadeiras quadrilhas de bandidos! - Fala baixo, meu amigo, as paredes podem ter ouvidos. Antigamente éramos nós que tudo fazíamos para aprender o inglês, hoje são eles que estudam, falam, entendem o português. Mas lá que a tua avó tem carradas de razão, quanto a isso não há discussão. Por esses países fora quanto maior for o estafermo, mais possibilidades tem de chegar ao governo. -É verdade, gente sem carácter, sem dignidade, incompetente, sem honestidade, corruptos, aldrabões, tudo serve para estar à frente dos países e suas instituições. - E o pior, por este andar,- meus amigos e senhores - os partidos políticos arriscam-se a serem apelidados de verdadeiros “ninhos” de malfeitores! - Evidentemente, porque é de lá que sai a maioria dessa gente. - É claro que não podemos exigir a quem governe que seja um santo, um puritano, um inocente, mas tem o dever e obrigação de dar o exemplo. - Pois, mas lá o exemplo têm dado, só que é para o pior lado. - Claro, vivemos um tempo desgraçado. - Bom, mas, quanto a isso, ainda assim, podemos estar felizes e contentes, o nosso País dessa desgraça está isento. Se alguma coisinha está mal não é por falta de competência de quem tem estado à frente dos destinos do nosso Portugal. - Claro. E muito menos por essa coisa da corrupção, do oportunismo, da falta de carácter e dignidade ou por serem intrujões os que mandam nas diversas instituições. Se anda uma coisa ou outra mal é porque este ou aquele é, digamos, menos capaz, ou seja,a cabeça não lhe dá para mais. No cômputo geral, benditos aqueles que têm vindo a governar Portugal! - E não esquecendo os que agora estão fazendo o sacrifício de governar, mais aqueles que para a Presidência da República se preparam para lá chegar. - A propósito, não sei se o mesmo se passa com os meus amigos, mas já tenho o meu candidato mais ou menos escolhido. Vou votar no calceteiro, pois é o que vejo com melhor formação para tapar os buracos... financeiros! - Olha que nisso ainda não tinha pensado, mas como só se ouve falar em buracos, para tapá-los não vamos escolher um professor, um reitor, um advogado... Realmente o calceteiro é, seguramente, o mais indicado!