Não gosto de me repetir nos temas de opinião, mas, as mudanças dos últimos 7 ou 8 anos operadas na Saúde - a nível regional e também nacional - justificam que eu pergunte, porque se provocou este “mal-estar” sanitário, no meio dos profissionais de saúde, indiferentemente das suas atribuições ou responsabilidades, degradando de certo modo, um ambiente que já foi perfeitamente saudável? Terei de me repetir para sublinhar que, no específico caso de uma ilha como a nossa, não deve haver falências, 1º nos seus Acessos - portos ou aeroportos - 2º na Saúde, porque em caso de absoluta necessidade, não podemos, neste caso solicitar ajuda ao Hospital aqui do lado ... porque ele fica longe ... em Canárias ou em Lisboa. Falando um pouco dos números, temos metade dos anestesistas necessários, com as respectivas consequências que se podem imaginar ... temos uma corrida desenfreada de muitos profissionais de saúde, para a reforma, para a medicina privada, para cá, para lá, seja em Portugal ou na Europa. Temos um “mega” hospital que até há pouco tempo dispunha de um “capitão”, que comandava a seu belo prazer todos os esquemas da saúde, menosprezando a especialidade de Clínica Geral ou Medicina Geral e Familiar, como primeiro suporte e primeiríssimo interveniente na condução das patologias crónicas ou agudas, sazonais. Estas, motivo de inúmeras cenas tristes durante os picos de afluência no passado e rigoroso inverno 2014/2015 ... que este ano esperemos não volte a acontecer. Temos uma ilha lindíssima, visitada o ano inteiro, por turistas que adoram este local bem-aventurado, somos apenas 250 mil habitantes e não conseguimos estar suficientemente organizados, neste específico campo da saúde? Herança adquirida - com “minas e armadilhas” pelo meio - que já começou a ser sanada, com a crise ou sem ela! Nada a ver com os partidos ou com as políticas, porque a Saúde não tem cor partidária! Não há razão nenhuma para não podermos tratar bem os nossos doentes e mais aqueles que adoecem quando nos visitam! Estes últimos, representando para o tecido empresarial madeirense muito do seu ganha pão! No sector público estamos assim com faltas objectivas ... e no privado não estamos melhor. Nesta área privada da saúde, com serviços variados - como exemplo a Medicina do Trabalho - que prestam, alguns deles, um desempenho irregular, porque as empresas quando solicitam estes serviços, querem fazer economias nas suas avaliações anuais, ... suportadas por um “controle” ou uma “regulação” oficial, que não é suficientemente eficaz. Como se a saúde dos funcionários ou dos trabalhadores não fosse importante! Na Medicina Desportiva o panorama não é melhor, existindo clubes, cujos atletas são avaliados, por profissionais não médicos - enfermeiros ou massagistas - tratando-se de uma clara ilegalidade ... ou então por médicos sem qualquer conhecimento especializado, não preenchendo os requisitos desta avaliação - sem Raios -X, sem ECG e sem análises - e depois ninguém se queixa ... e fica tudo bem! Como se, avaliar a condição física de um atleta federado ou de alta competição fosse a coisa mais simples e banal do mundo!
A Saúde é muito cara, as pessoas desconhecem mesmo os seus verdadeiros preços ... por isso não se pode andar a brincar com ela! As responsabilidades primeiras do estado de saúde individual, são exactamente do próprio. Mas nas consultas, todos são tratados como iguais - sejam responsáveis ou irresponsáveis! Porquê? Os mais interessados em saber o estado de sanidade, deveriam ser os próprios ... que paradoxalmente, não se importam e não ligam nada. Só se lembram, quando têm uma dor ou fazem chichi com sangue! Chegam a ser mais cuidadosos com os seus carros ou motas do que com eles próprios!
Há muito trabalho a fazer para poder recuperar os melhores níveis de saúde para a população, exigindo-se empenho de todos e informação detalhada para se controlar sem atropelos os actos prioritários. E como a saúde não tem cor, todos são responsáveis!
José Manuel Morna Ramos