Quem se apresenta a eleições assume as suas propostas eleitorais para a governação e quem vota decide com base nessas propostas. A palavra dada, não se rasga.
Esta deveria ser a máxima seguida por quem assume funções governativas. Mas por cá, com Miguel Albuquerque, o primeiro de Abril é todo o ano. Honrar a palavra dada para com o povo que o elege não é para todos, como também não é para todos os cidadãos penalizar e afastar quem assim mente. Há quem conviva bem com a mentira e faça dela um modo de vida.
1- Comecemos pelo Jornal da Madeira. Aquando da campanha, o candidato do PSD afirmou que não haveria “nem mais um tostão para o Jornal da Madeira”, depois das eleições, já como presidente do governo afirmou que “é preciso deixar de dar apoios aos jornais”. Entretanto, o tempo passou, a palavra foi rasgada e continua o PSD a injectar o dinheiro dos nossos impostos no JM. Um mentiroso é um mentiroso, não tem emenda.
2- O caso do avião cargueiro que tanta tinta derramou, que foi anunciado vezes sem conta pelo presidente do PSD-M. “O avião cargueiro vai retomar a sua operação cinco vezes por semana com capacidade de carga de sete toneladas e meia”. De facto a mentira pesa mais que sete toneladas e meia.
3- A ligação marítima com o continente é uma novela que parece não ter fim à vista. Depois da saída do operador Naviera ARMAS, esta matéria foi utilizada como instrumento eleitoral por parte da autoproclamada Renovação. Todos sabiam das contingências da operação e dos custos a ela associados. Quem deu a palavra ao eleitorado sabia que existiam custos que teriam de ser suportados pela Região, mesmo que fosse por via de fundos europeus. Depois de vir ao Parlamento com pompa e circunstância anunciar que havia sete interessados e que a solução estava para breve, ficamos a saber na passada semana que afinal não têm solução. Não há um mínimo de honestidade nem vergonha em mentir tão descaradamente. O Presidente do PSD-M penhorou a sua palavra junto dos Madeirenses quando prometeu a ligação marítima com o continente, falta executar a penhora.
4- Outra questão é a fraude eleitoral que foi a questão das Listas de Espera em que o então anunciado futuro Secretário Regional, ladeado pelo presidente do PSD-M, afirmou “o PSD espera implementar uma solução idêntica à que está em vigor no continente. Se, no tempo pré-definido, seis a nove meses em média, dois nos casos oncológicos, o doente não estiver inscrito para a cirurgia, recebe do Estado um ‘cheque’ para ser operado noutro hospital ou num serviço privado contratado”. Pois é, passaram nove meses desde as eleições e os mais de 17.000 Madeirenses em listas de espera para cirurgia ainda aguardam um “cheque”.
Estes são alguns exemplos, existem muitos mais, de como a palavra dada vale zero. Só que a política é uma questão séria com consequências na vida das pessoas e não pode ser uma brincadeira de 1 de Abril.
Victor Freitas