Nuno Gouveia A nossa Câmara do Funchal deve andar a nadar em dinheiro. Então não é que alguma cabecinha brilhante (sim de brilho) lembrou-se de prescindir, assim números redondos, de uma receita mensal na ordem dos 30 mil euros ao converter para cima de 60 lugares de estacionamento pago (parquímetros) em borlas para os amigos das duas rodas!? Talvez por aqui se perceba a ideia do orçamento rectificativo!

Se a ideia era promover a mobilidade, como apregoado, o tiro saiu-lhes pela culatra, até porque os antigos locais de estacionamento localizados em cima de passeios continuam ocupados por motos e os cidadãos, principalmente os de mobilidade reduzida, têm agora muito menos opções de estacionamento no centro da cidade. Sou a favor da criação de mais lugares de estacionamento para motociclos, mas as alternativas deveriam ser criadas de raiz e não tirar a uns (que pagavam) para dar a outros (de borla).

A mim e à maioria das pessoas, julgo eu, não choca ver as motos estacionadas nos habituais locais de passeio largo, onde se regista civismo por parte dos motociclistas ao estacionarem de forma a não impedir a passagem de ninguém.

Não sei que estudos foram feitos, mas já pensaram que em vez de promoverem a mobilidade estão a dificulta-la. Vejamos os exemplos dos estacionamentos rotativos subtraídos aos automobilistas junto à loja do Cidadão e ao Centro de Saúde do Bom Jesus. Nestes dois casos como fazem as pessoas com fraca mobilidade, com uma ou mais crianças de colo ou qualquer um de nós que necessite de se dirigir de urgência a estes dois importantes serviços?

Pela mesma ordem de ideias que presidiu esta medida, porque não manda o Sr. Presidente da CMF substituir o parque automóvel da câmara por motos pondo os funcionários e todos os eleitos e nomeados também, é claro, a fazer as suas deslocações de serviço em veículos de duas rodas? Aproveitando a ideia deveria também converter o tão central e apetecível parque de estacionamento privado no edifício da câmara em parque de borlas para os amigos das duas rodas! Assim seria mais coerente!

É também curioso ver que esta acção é concretizada na entrada da época das chuvas, quando menos pessoas usam a moto como meio de deslocação.

E as consequências no comércio e serviços da baixa do Funchal, alguém pensou nisso? É que a esmagadora maioria dos motociclistas que estacionam no centro do Funchal, fazem-no durante todo o dia, de borla e para irem trabalhar, ao contrário dos automobilistas utilizadores dos lugares de estacionamento pago e de curta duração que vêm ao centro como clientes do comércio e serviços locais.

Quem ganha com estas politicas?

Por tudo isto só me apetece dizer: Que fofo!!! (...e as eleições são só daqui a dois anos!)