Carlos Góis Os Carochas, os Ferraris e os Cinzeiros… Sempre gostei dos Carochas. O carro do “povo”, como assim era/é ainda (re)conhecido por muitos; e já lá vão mais de 60 anos… “Linhas” de enorme simplicidade, num “dois traços” (“semi-círculo”) de mestria em arte motora (qual “Picasso”), deslizando em extrema suavidade do tejadilho até aos seus “reluzentes” cromados pára-choques, em “cúpula perfeita” aos chassis. Um inconfundível “ronrom” motorizado, também e quase sempre acompanhado – em “som de fundo…” - de um (in)variável “zumbido”, como um “rasgar” de folhagens trasfegadas pelo vento (...), deliciosamente audível por quem lhe está por perto; e seja a conduzi-lo ou como passageiro, ou de mero “espectador” extra-habitáculo, em espaços privado ou público. E, desse habitáculo, não se pode esquecer o seu característico cheiro interior proveniente dos seus forros - e quem o tem, sabe-o muito bem… Curioso, ainda, é o seu sistema “sui generis” de pedais fixados ao “piso” (chassis), sem paralelo de e em outras “marcas” motoras - julgo eu…E, “imagine-se…”, no seu interior, lá está também, incorporado, um dispositivo central (com puxador, manual, tipo gaveta), bem visível no seu “tabliete”, aí temos: um “interessante” Cinzeiro, de uma extrema utilidade para os “tabagistas-dependentes”… É verdade! E que “excentricidade” - num Carocha-, para um automóvel “do povo…” Dos “Ferraris” (…), pouco ou nada conheço. Nunca “pousei” em algum, mas nada “chateado”. Tudo normal. Mas há uns “quantos”, por aí… De marca mesmo, um ou dois - se tantos… Também as nossas estradas regionais não se permitem a muito desses “luxosos”, e dão é mesmo mais jeito a uns Carochas ou Minis, ou Fiat … Por isso, como nunca “habitei” um “Ferrari”, ou outro “clone” motorizado, aqui reconheço a minha ignorância dos seus “pomposos” habitáculos; mas devem ser “autênticas naves” espaciais…em terra. Aliás, daí, quero tão só “extrapolar” a outros “similares”, os chamados “imitadores” de rua(s), os tais “show off”... Um dia destes, dentro da baixa funchalense, precedia (sem perseguir!) um desses “cavalos” e - em “dois tempos...”- o seu “volante” fez duas “notas artísticas” interessantes: inversão de marca, num cruzamento (!) (e se não travo, quase me abalroa o “clássico”…). Em frente. Prosseguida (s) a(s) marcha(s), lá “acompanhei” o “piloto”, rua em frente, por onde ele se “esgueirara”… Aquando a sua “desassombrada” manobra, logo ali, um gesto “perfeito” de sua mão borda fora da janela “abandona” umas cinzas, num sinal de natural satisfação tabágica… “Dois/três” metros mais adiante, gestos repetidos (…), e acontece o que já In)suspeitava: os “restos mortais” (vulgo beata) “esvoaçam” janela fora, e para “desespero” do seu “volante”, que na altura não a queria “largar”... Mas o vento fora um “obstáculo... Mas o que “me inquieta a mente…” – motivo deste paralelismo “cruzado” de arquétipos motorizados…– é não ter acesso a um interior de um “Ferrari”, apenas e só para confirmar se esses “luxuosos” integram no seu “tabliete”, e em local bem visível ao seu condutor (ou ocupantes) um Cinzeiro, onde para aí, deliciosa e discretamente, possam os seus ocupantes, depositar “os restos mortais” da(s) sua(s) beata(s), ou dos seus inconfundíveis “cartões”- vulgo maços de tabaco... É que, de quando em vez, e pelas nossas estradas regionais, é tão fácil observar uns quantos “objectos voadores” (quais ovnis), em borda fora de alguns “ronrons” - os tais sofisticados, mas deficitários de “origem”... E, ali, basta um simples Cinzeiro… E se existem é para serem usados, não para embelezar (…) E um gesto de boa(s) vontade(s)!.. Custa assim tanto usar o(s) Cinzeiro(s)?...