Vamos ter mais um ano de severa austeridade na Madeira. Quando se previa que o Plano de Ajustamento Financeiro terminasse a 27 de Janeiro, eis que o Governo Regional do PSD pede o seu prolongamento ao Estado até ao final deste ano. Tudo feito secretamente nas costas do Parlamento e dos Madeirenses. Pelos vistos, só os membros do Governo Regional e o novo líder do PSD, que veio a público apoiar a decisão, sabiam desta tramóia que vai agravar a recessão económica e provocar mais desemprego. O Plano de Ajustamento da Madeira foi concebido a exemplo do Plano acordado entre Portugal e a Troika. Duração de 3 anos com 12 avaliações trimestrais e libertação das tranches do empréstimo conforme o cumprimento do acordo. O Plano português foi assinado a 17 de Maio de 2011 e terminou a 17 de Maio de 2014. O Plano da Madeira foi subscrito a 27 de Janeiro de 2012 e devia estar concluído a 27 de Janeiro de 2015. Mas assim não sucedeu porque o Governo Regional falhou. Se o Governo Regional tivesse cumprido o que subscreveu com o Estado não precisaríamos de prolongar o Ajustamento por mais um ano. Os cidadãos e as empresas cumpriram a sua parte, com menos rendimentos e mais impostos, apesar de não terem responsabilidades na dívida excessiva que conduziu ao resgate. Quem se revelou incapaz, mais uma vez, foi o Governo Regional, que não consegue renegociar a dívida nem as parceiras público-privadas da Via Litoral e Via Expresso, dois negócios ruinosos da governação PSD que consomem 150 milhões de euros por ano do Orçamento Regional. Estes foram os maiores crimes [escrevo bem] da gestão financeira do PSD. Atentemos nos números: a Região recebeu no início deste século (destas empresas) 550 milhões de euros, mas até ao momento presente já pagou mil milhões, e o contrato prevê que até 2029 sejam pagos mais 1.600 milhões. Isto é, o Orçamento (os contribuintes) irá pagar 5 vezes mais do que o valor que foi arrecadado. Andam os madeirenses a pagar os impostos mais altos do país para que continue este “negócio da China” aos consórcios dos bancos e às grandes empresas de construção civil que são acionistas da Via Litoral e Via Expresso. Alguém já ouviu o novo líder do PSD se pronunciar sobre esta questão? Claro que não, e sabe-se porquê... A única coisa que se sabe é que o novo líder do PSD é favorável ao prolongamento do Ajustamento Financeiro, ou seja, desta austeridade sem sentido, que provocou recessão económica sem precedentes, a maior taxa de desemprego do país e gerou mais pobreza e miséria. Mais austeridade depois de três anos de dupla austeridade, significa que não é de confiar neste novo/velho PSD, uma vez que o partido não muda de práticas, nem de políticas. Os eleitores devem apostar numa Alternativa credível e consistente que pode e deve ser construída pelo CDS com os madeirenses e portossantenses.
“vamos ter mais um ano de severa austeridade na madeira”