A prova dos nove, ou regra dos nove fora, era um truque muito usado quando as calculadoras eram menos populares que permitia verificar o cálculo manual de somas, subtrações, divisões e multiplicações, hoje em desuso, dada a generalização do recurso às calculadoras. Reconhecida a legitimidade constitucional que minorias somadas se assumirem como maiorias, detonando vencedores que passam à condição de vencidos, importa acompanhar a acção política dos próximos tempos e verificar a credibilidade que nos deve merecer a miscelânea partidária. Não será difícil renegar para segundo plano fundamentalismos ideológicos, valorizando o espírito de serviço ao país, a coberto dos tempos que se vivem e que requerem esforços de excepção. Mais difícil é compreender que reivindicando um lugar na lista dos aptos para a governação reneguem a participação activa no acto de governar, refugiando-se no suporte parlamentar, para não esgotarem a possibilidade futura de afirmarem que nunca lá estiveram. Quando voltarem a reivindicar um lugar no arco da governação, saberemos que não passa de puro bluff. Igualmente difícil é compreender que deputados eleitos nos círculos eleitorais da Madeira, com os votos do povo da Madeira, intervenham a propósito da visita do chefe de estado à Madeira questionando a sua pertinência, face à situação do país, como se a agenda do Presidente da Republica fosse programada com dias de antecedência ou se a visita à Madeira impedisse o período de ponderação que cumpria até a decisão que acabou por tomar. Empossado o governo, somadas que estão as minorias que o suportam e que por tal se assumem como maioria, esperamos que se somem as reivindicações de anos, as preocupações pelos mais fracos, as alterações fiscais pedidas e que se cumpram os critérios do pacto de estabilidade. Afinal a maioria que resultou do somatório das minorias tinha esse conjunto de princípios a cumprir, ainda que de forma dispersa entre os três. Ao se somarem para constituírem uma maioria esperamos que tenham somado as reivindicações de anos, executando as medidas que lhe deem cobro. Nós, os que aguardamos a acção governativa, estamos prontos para a prova dos nove nos cálculos da coerência, com as parcelas da reivindicação passada e da acção presente e futura.
Rui Gomes Coelho, Economista