“Não gosto de pagar salários, pago o mínimo que puder”. A frase é de um tal Patrick Drahi, dono de uma coisa chamada Altice que é o principal accionista de algo que já se chamou Portugal Telecom e que detém uma marca chamada Meo que até há pouco tempo tinha como 'cara' Ricardo Araújo Pereira e agora aparece com o Cristiano Ronaldo. Ou seja, Drahi, além de ser um ilustre representante dos patrões obtusos, é também o dono da Meo.

Não será certamente o senhor Drahi a assinar o contrato, porque essas coisas acontecem um pouco abaixo da sua cadeira, mas o certo é que a tal Meo acertou com o meu FCP um contrato de 457,5 milhões de euros pelos direitos televisivos dos jogos em casa, a partir de 2018. Antes, já dentro de dias, deverá levar o Porto Canal – tenho pena porque mato saudades de uma cidade onde vivi e vejo jogos de andebol e da equipa B – e já no jogo de Alvalade vai aparecer nas camisolas.

Seja para o que for, aquele número é obsceno. É um balúrdio, uma exorbitância, algo que pode deixar os adeptos todos felizes, mas só os que não pensam. É vergonhoso que uma empresa que paga mal a jovens engenheiros e muito menos os miúdos que nos atendem nas lojas, tenha estas fortunas para gastar em publicidade, jogos e tudo mais.

Para o FCP foi bom saber que a sua marca vale tanto como a do Benfica que tinha assinado um contrato igualmente obsceno com a NOS, mas para nós, que pagamos tudo o que essas empresas vendem ou nos obrigam a comprar, dá que pensar.

Quando o Benfica levou os seus jogos para a 'Benfica TV' disse que nunca iria pagar para um clube adversário. Agora, tenho dois anos para decidir se vou pagar para o meu clube. É quase certo que não, porque os clientes e os adeptos não devem ser marionetas dos Drahis ou dos dirigentes desportivos deste mundo.