A quadra natalícia evoca, normalmente, sentimentos nobres e emoções positivas pois na sua génese está um acontecimento marcante na história da humanidade com cerca de dois mil anos: o nascimento de Jesus Cristo. Na verdade, o nascimento não constitui por si só, a não ser para os cristãos, o essencial, mas sim a mensagem que deixou: de tolerância pelas debilidades humanas, de aceitação e respeito pela diversidade racial, de solidariedade por quem é desprotegido, de bondade, de humildade, de compaixão, de partilha, de fraternidade, de esperança na humanidade.
A esperança e o sonho são, de facto, o motor da nossa ação, dá-nos força anímica para trilhar os caminhos que nos propomos percorrer e impelem-nos para a realização dos nossos objetivos. Sem esperança, perdemos a capacidade de acreditar. Sem o sonho, deixamos de lutar.
A razão que levou milhares de pessoas a sair do nosso país nos últimos anos foi porque deixaram de acreditar que poderiam realizar os seus sonhos em Portugal e assim transferiram todo o seu potencial combativo e criador para outro país que os faz ter esperança e dá possibilidade de sonhar.
Nos últimos quatro anos, a direita fez-nos crer que tínhamos sido demasiado utópicos e que a utopia ou o sonho nos tinha entorpecido o discernimento e nos impedia de encarar a vida com realismo e objetividade, o que, por sua vez, nos arrastara para a desgraça nacional. Depois penso, mas o sistema bancário viveu de utopia? Não era suposto ter sido gerido com objetividade e realismo? Pois, viveu foi à custa dos sonhos de milhares de pessoas que depositaram confiança numa estrutura onde a racionalidade deveria imperar e impedir os desvarios do “utópicos” que nos levam sempre à desgraça. Pois!
Venham os sonhadores! Que o sonho nos comande a vida e que os próximos anos liderados por um governo de esquerda devolvam a esperança a todos os portugueses sem perder de vista os valores que hoje se celebram. “Sejamos realistas, exijamos o impossível.”
Sofia Canha