A avaliação dos alunos é um processo pedagógico essencial na dinâmica das suas aprendizagens e na aquisição de competências, todavia, avaliar implica muito mais do que classificar. Os exames realizam-se num determinado momento, avaliam um número limitado de conteúdos e cumprem o seu papel em termos de certificação. Os resultados quantitativos devem constituir indicadores importantes para os alunos, os pais e os professores refletirem e, se necessário, alterarem as práticas. Porém, torna-se redutor quando destacam, debatem e promovem apenas a avaliação sumativa, os resultados dos exames, as classificações e os rankings. Ano após ano, insistem na desvalorização dos contextos, dos fatores económicos, sociais e culturais dos alunos, atirando para debaixo do tapete não só a qualidade do trabalho de inclusão, tão árduo e complexo, que as escolas desenvolvem, como também todos os outros instrumentos de avaliação utilizados pelos professores e alunos, na sala de aula e fora dela. A sociedade habituou-se a criar e a amplificar rótulos. Encontra-se ainda demasiado presa ao imaginário do “O Bom, o Mau e o Vilão”, por isso, qualquer ideia diferente que possa desestabilizar esta cultura de vida é alvo da incompreensão e, por vezes, do desdém. Mas, insisto: não são apenas os exames que simbolizam uma imagem de rigor e exigência, assumem a sua relevância, sem dúvida, contudo, não garantem a qualidade no ensino e, aplicados em idades precoces, o prejuízo pode ser irreversível. A maioria das pessoas que defende hoje os exames no básico, enquanto alunos desse nível de ensino, nunca os realizou nem deixou de ter sucesso pessoal, escolar e profissional. E não é pelo facto de não terem realizado essas provas nacionais que agora vamos defender que o ensino dessa geração se caraterizava pelo facilitismo e que os professores não cumpriam os programas. Ao longo do percurso ensino-aprendizagem, a avaliação deve ser utilizada para o professor ensinar melhor, diversificando as estratégias, adaptando as práticas, privilegiando a função formativa, no sentido de detetar, reorientar e criar as condições para que os alunos sejam capazes de corrigir as suas dificuldades. A avaliação não pode ser transformada num poder que permite atirar chumbos contra os alunos, nem assumida como um fim que serve para etiquetar e discriminar. Em suma, a avaliação dos alunos não começa e termina num exame, quando levado a sério, é um processo educativo dinâmico, exaustivo, rigoroso e exigente.
Rui Caetano Professor