Felizmente chegamos mais uma vez ao mês da Festa com vida e saúde! Espero que o mesmo se verifique com todos os que dispensam algum do seu tempo para ler estes caracteres enviados a partir do Norte e a que este matutino lhes atribui espaço.
Esta época é habitualmente considerada uma altura de partilha, confraternização, de alegria, de dar e também receber, enfim de tudo o que de bom a vida tem e que se deveria verificar durante todo o ano, não apenas na Festa.
A propósito disso - e das indecisões que recentemente se verificaram lá para os lados de Lisboa, de saber quem manda em quem e quem tem direito a estar aqui ou a ali - na conversa do costume no café, contou-se a história do pão da venda e o pão de casa.
Antigamente, nem sempre se fazia pão em casa, era mais ao fim-de-semana e em alturas especiais, por exemplo, pela Festa. Nos outros dias, quando havia dinheiro ou ovos, ia-se à venda comprar (ou trocar), um ou dois pães de quarto quilo. Quando o pão era de casa havia sempre mais um pouco de fartura.
Certo dia à matina, em casa do Pestana - um casal que teve 13 filhos - era uma xícara de café com um pedaço de pão da venda. Depois de ir tirar o leite à vaca, como era hábito, o Pestana reuniu os filhos à mesa, pegou no pão que um deles já tinha ido buscar à venda e cortou, como de costume em fatias de tamanhos diferentes: a maior para o mais velho e a mais pequena para o mais novo. Nesse dia o Manuel, um dos do meio, decidiu que também tinha direito a uma fatia igual ao do irmão mais velho e disse que não queria comer a sua fatia. Perante isso, o Pestana não se pôs com meias medidas, deu um beliscão no pão do Manuel, retirou parte, deu a outro filho e avisou o Manuel para comer o restante, caso contrário ia ficar sem nada. A cena repetiu-se várias vezes. O Manuel acabou por ir apanhar erva à vaca sem comer nada. Ouvi-o dizer muitas vezes: “nunca mais rejeitei nada para comer”.
Nessas coisas de mandar, lá para os lados de Lisboa, parece que ainda é pior. Os do meio (e até os mais pequenos), também querem ter um pedaço igual ao dos maiores. Se calhar deveria ser como na casa do Capontes, em que a situação era semelhante e um dos filhos, avisou: “doravante não há mais pão partido, é um pão igual para todos”.
Do Norte vão os votos de Boas Festas e Feliz Ano Novo, igual para todos, grandes, pequenos e também os do meio.
Joel Freitas