Jorge Martins Terão ficado chocados, com o meu texto anterior, os meus abnegados amigos que têm suportado e suportarão, disso estou seguro, a candidatura de António Sampaio da Nóvoa, quando o apelidei de “Cavaco de esquerda”. Era e é tão só um alerta, vigoroso, para a falta de direcção política e mediática, desta candidatura, que apoio sem reservas, que a tem tornado num amontoado fátuo de discursos que não chegam senão a uma, eleitoralmente limitada, elite, que se dinamiza para um combate, quase, impossível e por isso que deve ser alertada para a necessidade de passar a mensagem para além de uma postura séria, descomprometida ainda que algo “serôdia”, e com pouca, diria mesmo que muito pouca, capacidade de penetração no eleitorado.

De facto, contra o candidato dir- se-ia, perante o espectáculo mediático, único, que consegue, desde logo, ser, simultaneamente, o candidato “imagem” anti-Cavaco, da direita mais reaccionária e do Grupo de Bildberg, liderado por Balsemão no nosso país, com os seus bonecos animados, Passos Coelho e Portas, os seus escribas de serviço tipo Ricardo Costa e José Manuel Fernandes e os idiotas úteis tipo João Miguel Tavares e Vasco Pulido Valente, que continua a sanha persecutória a José Sócrates, porque este compreendeu a tempo toda esta trama, do mesmo modo que silencia Sampaio da Nóvoa, é imprescindível colocar Marcelo contra a parede, questionando-o sobre todos os importantes assuntos que nos preocupam, mas muito particularmente sobre a qualidade da democracia que a austeridade nos deixou e continua a condicionar-nos, sobre a impagável dívida, sobre os constrangimentos de desenvolvimento do projecto Europeu, a resolução da crise dos migrantes e do papel da UE nos conflitos do Médio Oriente, das descentralização/regionalização do país, enfim, de qualquer coisa sobre a qual tenha opinião e nos elucide não sobre o comentador e “artista” que conhecemos de ginjeira, mas sobre o homem que quer ser Presidente da República, tão ao jeito, que sem jeito nenhum, mas com enorme seriedade e convicção, tem feito Sampaio da Nóvoa.