Xavier Luís A geração nascida entre 1980 e 1990, que agora tem idades compreendidas entre os 25 e os 35 anos, tem dificuldades em encontrar emprego ou tem andado de emprego em (des)emprego a ganhar uma miséria. Parece difícil de entender esta situação, pois, por um lado, trata-se de uma geração em que os seus pais optaram por ter um ou dois filhos e, por isso, deveria ser mais fácil encontrar emprego, uma vez que a concorrência seria menor. Além disso, é uma das gerações com mais habilitações! Então, o que é que impede estes jovens de obterem emprego? Por um lado, o capitalismo desenfreado (a que chamam globalização) que tudo fabrica no oriente e que, por essa razão, desmantelou o aparelho produtivo nacional. Por outro lado, e quiçá o mais importante e menos falado, é o aumento exponencial dos requisitos para a reforma. A este propósito, relembremos que, até há poucos anos, se permitia a saída para a reforma de quem tivesse 36 ou 40 anos de serviço (conforme se tratasse de funcionário público ou privado), o que bem se compreendia, dado que quem tivesse esse tempo de serviço, teria iniciado o seu percurso laboral entre os 14 e os 18 anos de idade e saía com cerca de 55 a 60 anos. Atualmente, com a idade da reforma nos 66 anos de idade, temos largas dezenas de milhares de pessoas nessas condições e que estão impedidas de ir para a reforma (levam um corte de cerca de 70%! Isto é, ficam com uma reforma de menos de um terço do seu salário!). São estes os que ocupam tantos outras dezenas de milhares de postos de trabalho que, em condições normais, seriam disponibilizados para os jovens. Caricatamente, são os pais (ou melhor, os que são da geração dos pais) desses jovens, que estão impedidos de ir para a reforma, que ocupam os lugares que lhes estariam destinados e que, dessa forma, os «obrigam» a ficar desempregados. A solução parece óbvia: permitir novamente a reforma com 36 e 40 anos de serviço. Só assim se disponibilizariam dezenas de milhares de postos de trabalho para os jovens. E nem digam que não há dinheiro, pois o que se passa é que o dinheiro é mal gasto!