Juvenal Pereira - As iluminações de Natal, no Funchal, são algo de sensacional. - Ontem, diziam duas turistas inglesas, que mesmo apagadas, as iluminações eram mais bonitas do que as de 2014…acesas! - Olha, lá, para os que pensam que o turista só vem cá ver a paisagem, comer o bolo do caco e a espetada, eis a resposta acertada. - Agora, meu amigo, parece-me que há um ou outro local onde está muito sobrecarregado. - Pois, são os locais que têm as iluminações deste ano, mais as que faltaram o ano passado. - Ah, bem, assim está explicado. - E já viste que vamos ter muitas mais iluminações, por uns tantos menos milhões? - Aí, amigo, não podemos fazer comparações. Na era, por exemplo, das figuras da viloa e do vilão, foi preciso abrir a mão. O governo anterior teve que pagar os direitos de autor! - Ah, pois, o que deveria ter acontecido (em termos de despesas) também com as flores. - Exatamente. Para apresenta-las tivemos que ir à Holanda busca-las. - Ena, pá, essas “flores” também vieram de lá? - Claro, e, milhão para as flores, milhão para as viloas, milhão para os vilões , lá se esfumaram os milhões. - E, certamente, para não falar nos presumíveis acertos nas restantes iluminações que nada tiveram a ver com as figuras das viloas e dos vilões. - Evidentemente. Bom, mas não se fala mais em coisas tristes, até porque ninguém está a pagar isso. Para te falar com sinceridade, ando mais preocupado com o facto daqueles milhares de turistas que não nos puderam visitar pelos barcos não poderem atracar. - Aí, por aquilo que se soube e se viu, a culpa é inteiramente dos comandantes dos navios. Antes de saírem de lá, deviam telefonar para cá, a perguntar se tinham lugar para atracar. Assim é que um comandante de juízo teria procedido. - Mas o nosso governo poderia ter sido, digamos, um bocadinho mais generoso e autorizar a atracagem no cais novo. - Nem pensar. Aquele cais não foi feito para navios atracar. Gastamos milhões, mais trabalho e muito esforço, pura e simplesmente para protegermos a Praça do Povo. -Ah…pois…pois… mas, se não estou a fazer confusão, na altura da construção, estava num tapume afixado, uma foto com um barco escarrapachado, como se já estivesse no novo cais atracado. - Isso é a voz da “reação”, se estava não dizia respeito ao novo cais da Região. -E quanto ao cais junto à lota, porque só na época dos” cruzeiros” é que foram feitas as obras? - Absolutamente natural, enquanto não houve barcos, não havia trabalho, aproveitou-se para dar férias a TODO o pessoal. - Pronto, meu amigo, foi muito bom falar contigo. Não há como estarmos esclarecidos.