Embora emendado a tempo, não gostei da hipótese do cancelamento do Europeu em França no próximo ano ou do jogo de preparação Inglaterra/França. O Futebol não se pode colocar de cócoras perante o terrorismo.
Pela importância e mediatismo mundial, quer da modalidade em si quer do número de agentes envolvidos, com destaque para os jogadores e a sua intervenção social “arrastando” multidões de fãs nos estádios e nas redes sociais, bem como a forte intervenção na economia, o futebol não pode recuar nunca, seja contra o terrorismo social seja contra toda a espécie de violência, sob pena de destruir ambições, sonhos, objectivos, invertendo a pirâmide das nossas gerações.
Tantas vezes as estruturas do futebol solicitam ajuda aos cidadãos, chegou a hora do Futebol retribuir essa ajuda á sociedade civil e não hesitar na determinação e na firmeza das decisões.
O futebol tem de assumir, nesta hora difícil para os cidadãos, a sua condição no mundo. Rever procedimentos, agilizar regulamentos, clarificar regras, intensificar segurança, modificar posturas é tarefa de todos os agentes do futebol, práticas a serem implementadas na observância de tudo o que envolve o fenómeno desportivo.
Claro que ataques deste tipo, por ausência de alvo definido, com chacina aleatória e anarca, assustam-nos.
Lamento e condeno profundamente os bárbaros ataques de Paris vitimando seres humano cujo crime foi estarem vivos, de gostarem de música, de se reunirem com família e amigos num restaurante ou simplesmente gostarem de futebol.
O problema não está simplesmente circunscrito a determinada zona geográfica. O que está em causa é o fenómeno da intolerância religiosa, que pode surgir em sociedades laicas. Curioso ou não, um dos assassinos do Bataclan era filho de mãe portuguesa.
Não se trata de um fenómeno novo. Alguns países ocidentais, entre os quais Portugal, não se podem orgulhar da sua história no que se refere á tolerância religiosa.
As cruzadas em Africa com a espada numa mão e uma cruz no outro, “ crês ou morres”. A Inquisição, um sistema jurídico instituído pela Igreja Católica Romana para combater a heresia, iniciou em França no seculo XII, estendendo-se mais tarde a Portugal e Espanha, os célebres Tribunais da Santa Inquisição.
Serão resquícios do passado sociologicamente mal resolvidos, causas dos muitos movimentos migratórios de então. Ainda sou do tempo da regra: “Quem não é por mim é contra mim” ou para entrar na Função Pública teríamos que assinar uma declaração anticomunista. Na era da globalização não faz mais sentido. Apesar das rivalidades foi possível Franceses e Ingleses cantarem a Marselhesa, dando razão a quem no passado assumiu: “Eu tenho um sonho” ou “Sim, nós podemos”.
Francisco Costa