O municipalismo tem evoluído e as competências tradicionais das autarquias têm sido complementadas com outras que habitualmente eram exclusivas dos governos. Áreas como diplomacia, economia e ciência, passaram a fazer parte dos programas dos executivos camarários. Tudo alicerçado numa estratégia municipal e na construção de uma agenda para todos. Mais do que ser competitivo um município tem de ser atrativo e promover um desenvolvimento territorial integrado, aquilo a que chamo andar com os dois pés: progresso social e económico. Falarei do papel do poder local em revitalizar a economia. Esta deve ser uma prioridade dos municípios, se quiserem assumir o desígnio do crescimento económico. O Funchal é desde o inicio do povoamento o principal polo urbano da ilha: é aqui que se situam as principais infraestruturas, é aqui que se concentram os maiores e mais importantes equipamentos, é aqui onde existe maior oferta de emprego. É expectável que o Funchal continue a ser no futuro o município central da rede urbana regional. A nossa capital tem uma riqueza patrimonial histórica, tem uma frente mar e um porto dinâmico, tem um clima favorável e temperaturas amenas durante todo o ano, tem uma tradição turística. Muitas cidades gostariam de ter estes fatores. Neste contexto o turismo assume um papel estruturante na economia local e regional: o setor representa 24% do PIB e 15% do emprego e muita da atividade local de comércio e serviços está dependente da atividade turística. O papel dos municípios em geral, e do Funchal em particular, é determinante na qualidade do produto turístico da Região. O lema do Turismo Portugal é “Receber Bem” e quem melhor que o madeirense pode cumprir este desiderato? É a nível local que o turista percebe se é ou não bem recebido, e é a nível local que se criam experiências que geram emoções. É este sentir que fica guardado na memória e se transmite nos meios de quem nos visita. É desta forma que melhor se promove o nosso destino. No passado a ação da Câmara Municipal do Funchal na área do turismo foi pautada por um conjunto de atividades e iniciativas que careciam de um enquadramento estratégico. Por isso, e estando conscientes deste facto, estamos em fase de conclusão de um programa de ação que consubstancia um plano estratégico para o turismo do Funchal, estratégia baseada no estabelecimento de prioridades coordenadas com os agentes locais e alinhada com a estratégia de âmbito regional e nacional. As linhas estratégicas nacionais e regionais para o turismo focam-se na criação de um destino de qualidade. As experiências a oferecer ao turista terão de ser cada vez mais variadas, genuínas e alternativas. E é neste campo, o das experiências, que a ação do município deve e pode ser centrada, pautando-se pela autenticidade, criatividade e diversidade, na formulação de um produto turístico baseado em experiências integradas. A nossa missão passa por cuidar da cidade, qualificar o produto turístico e com ele, proporcionar o máximo de experiências no mais curto espaço de tempo, fazendo com que estes gastem mais. A visão que temos para a nossa capital é a de “Funchal, experiência única”. Uma natureza deslumbrante, um clima ameno, uma história com mais de quinhentos anos, uma riqueza cultural valiosa, um “cantinho do céu” no que diz respeito à segurança, eventos de qualidade e excelente gastronomia, permitem que o Funchal proporcione experiências completas e únicas. Associada à visão que temos para o turismo no Funchal, surge a necessidade de criação da “Marca Funchal”, que contenha os valores de qualidade, autenticidade, simplicidade e inovação. Com esta estratégia para o turismo, estamos certos que contribuiremos para a qualidade do produto turístico e para o crescimento do principal setor económico da Região. Algo que não pode ser “para turista ver”.
Paulo Cafôfo