Com a recente publicação do Estatuto do Estudante Internacional, no início do ano transato, passou a ser possível, às Universidades Portuguesas, permitirem o acesso a estudantes internacionais, ao 1º ciclo de estudos; algo que há muito era reivindicado pelas Instituições de Ensino Superior.
Por um lado, os indicadores científicos nacionais tiveram um incremento assinalável nos últimos 20 anos, demonstrando a qualidade do nosso Ensino Superior e, projetando as Universidades, para um espaço além-fronteiras. Por outro lado, não só a necessidade de atração de um maior número de alunos, tendo em conta o preocupante decréscimo demográfico, mas também, a possibilidade de as Universidades Portuguesas se poderem manter como polos de criação de recursos humanos, altamente especializados, independentemente da origem dos seus alunos.
É importante referir que esta atividade, agora ao alcance das Universidades Portuguesas, não deixa de constituir também um verdadeiro fator de exportação e, por isso, deve ser acompanhado de um esforço, a nível nacional, que vai para além daquele que as Universidades podem prestar.
Nesse sentido, e no âmbito dos fundos europeus de desenvolvimento regional, foram consagrados apoios para ajudar a internacionalização das Universidades, de modo a dotá-las de meios de divulgação das suas valências formativas e de investigação, possibilitando, assim, a sua presença em feiras internacionais de atração de alunos, desenvolvendo campanhas de marketing e capacitando também as Universidades com gabinetes de integração do aluno internacional, em termos sociais e culturais.
Assim, para além dos cursos reconhecidos no espaço Europeu, de uma cultura de investigação em ambiente multidisciplinar e com turmas de dimensão que permitam uma forte interação professor/aluno, a Universidade da Madeira apresenta ainda, como pontos a seu favor, o facto de estar inserida numa Região muito recetiva à comunidade académica, oferecendo segurança, estabilidade, um ótimo clima e excelentes condições para a realização de inúmeras atividades de desporto e lazer.
Para este objetivo, a Universidade da Madeira identificou alguns “mercados”, onde gostaria de estar presente, como a Venezuela, Inglaterra, Brasil e China. Os dois primeiros têm como alvo a comunidade lusodescendente, e relativamente ao Brasil e à China prende-se com a dimensão do mercado que apresentam. Na China, o nosso foco seria para estudantes oriundos de Macau que têm uma grande apetência por Portugal. Para tal, e no sentido de dotar os alunos de um maior conhecimento de português, a Universidade da Madeira aprovou, recentemente, a criação de um ano zero, dedicado a alunos não fluentes na nossa língua, podendo complementar esse ano com o aperfeiçoamento da língua inglesa e a possibilidade de frequentarem disciplinas relativas ao curso superior em que irão ingressar.
A diversidade do background científico e cultural destes novos alunos, não deixando de constituir um desafio em várias vertentes, tais como a sua integração social, poderão constituir um ativo extremamente valioso, quer para as Universidades, quer para o País. Na sua maioria, as sociedades ocidentais que abriram as suas Universidades aos estudantes internacionais têm tido um resultado francamente positivo. Assim, estamos certos de que com os apoios, conhecimentos e trabalho necessários, a Região e o País saberão tirar partido desta excelente oportunidade que, vai muito para além, da prestação de oferta formativa.
José Manuel Baptista