A atualidade política atual vive cenários novos e desafiantes que requerem uma análise cada vez mais realista para que o diagnóstico dos problemas mais prementes da nossa sociedade seja fidedigno, mas mais importante será encontrar as melhores soluções para os resolver.
Vimos de uma época em que o partido laranja dominava o cenário político Regional, onde as maiorias absolutas eram absolutíssimas e onde todos os recantos da ilha eram dominadas por estes.
Habituamo-nos a uma realidade onde a governação laranja era naturalmente uma realidade inabalável e, sem dúvida, uma zona de grande conforto reconfortante. Esta habituação enraizou-se de tal forma, no inconsciente da população, que até se referem aos atuais líderes autárquicos de outras forças políticas como sendo as autarquias lideradas pela “oposição”. Esta forma de estar revela realmente que a função do PSD em se tornar oposição ainda não foi verdadeiramente aceite e, de certa forma, assumida, contando que mais tarde ou mais cedo a reconquista será um facto consumado sem qualquer esforço.
Considero que, para tal acontecer, será necessário definir estratégias para apresentar argumentos que devolvam a confiança perdida do eleitorado e para que nas próximas eleições possam, humildemente, recuperar as autarquias perdidas.
Refiro-me à criação de uma estratégia porque esta ausência tem sido notória e vários exemplos fundamentam claramente esta crítica.
Concentremo-nos, então, na cidade do Funchal. O seu atual líder apresentou duas medidas aparentemente positivas. Digo aparentemente, porque, após uma análise mais profunda, são medidas desconexas da realidade presente e completamente desajustadas dos seus propósitos.
Comecemos então pelas medidas implementadas para promover a natalidade na cidade do Funchal. Medidas centradas em benefícios diretos no IMI para os casais que tiverem filhos, com redução do imposto entre os 10 a 20%. Aparentemente é uma excelente medida, mas na verdade não irá beneficiar a natalidade porque quem irá beneficiar desta medida são os casais proprietários que já têm filhos e, como tal, terão benefícios no seu orçamento familiar. Verificamos, então, que as medidas tomadas são desajustadas dos seus propósitos, pois em vez de promoverem a natalidade, promovem o apoio às famílias proprietárias. No entanto, para querer aumentar a natalidade na nossa cidade, é necessário pensar em estimular os jovens casais, sem filhos, para tomarem a decisão de fazer crescer o seu agregado familiar. Este estímulo não deverá ser através do imposto sobre os imóveis, uma vez que estes casais mais jovens estão a optar pelo arrendamento, pelas razões sobejamente conhecidas (acesso ao crédito, instabilidade do posto de trabalho, etc). Então, as melhores soluções para estes casais passa por dar benefícios a diversos níveis, mas principalmente por dar estabilidade no emprego.
A outra medida aparentemente positiva, que o executivo do Município do Funchal aplicou, foi a política para a mobilidade. Esta “brincadeira” poderá comprometer a envergonhada recuperação do comércio do Funchal. A redução dos estacionamentos para os automóveis, estimulou ainda mais a ida dos consumidores para as grandes superfícies comerciais. As pequenas empresas da cidade, que garantem muitos postos de trabalho, poderão vir a estar em sérias dificuldades, aumentando a desconfiança e a instabilidade dos jovens que nelas trabalham e, com isso, estar a comprometer futuras políticas para a natalidade. Não bastando, para além de a nossa cidade começar a ser evitada pelos residentes, consequentemente, os negócios virão a se ressentir com a quebra do volume de negócios centrados no público regional.
Como referi no início do artigo, não vimos o maior partido da oposição a apresentar o contraditório a estas medidas da CMF, nem a sua versão para a resolução destes problemas, nem mesmo para, de alguma forma, estimularem o debate que desencadeasse a discussão de diversas soluções para a promoção de melhores medidas para estes problemas.
Realmente, com uma governação autárquica tão desastrada nem é necessário fazer oposição, mas considero que o facto do maior partido da oposição do Município do Funchal, ser possuidora de uma experiência de décadas a enfrentar com valentia e inteligência os desafios constantes e difíceis que vão surgindo, como também pela quantidade de quadros com capacidade e competência para levar a nossa sociedade a bom porto, deveria intervir de forma mais ativa e assertiva para que colocasse este desgoverno na ordem.
Fábio Bastos