Neste ‘Ideias para Pensar & Partilhar @ Diário de Notícias’, abordo a importância de utilizarmos a nossa criatividade num mundo que constantemente apela à conformidade.

Tens de ser mais criativo! Precisamos de novas soluções! Como vamos resolver esta situação? Precisamos de mudar! Assim não vai funcionar!

Estas são algumas das frases e expresses que ouvimos no nosso dia-a-dia junto dos amigos, da família ou dos nossos colegas de trabalho e chefes.

Também muitas das instituições e organizações aderiram à famosa Mudança, Inovação e necessidade de ser mais criativo. É suficiente passar os olhos pelas páginas da nossa imprensa para constatarmos a existência de Fóruns de Inovação, Conferências de Empreendedorismo e Mudança ou outros nomes semelhantes que apelam ao novo, ao diferente, à mudança.

Mas, não é fácil, sobretudo para os jovens dos dias de hoje viver neste mundo e sociedade de dualidade. É que, por um lado, a palavra de ordem é inovar e mudar, por outro, a pressão ao conformismo e a resistência às novas ideias aprisionam até o mais afoito inovador e empreendedor.

“Não faças isso dessa maneira, não vês que não vai funcionar.”

“Onde é que foste desencantar essa ideia? Ah… rapaz enxerga-te!”

“É melhor não inventares ou vais acabar mal!”

“Não temos margem nem orçamento nesta conjuntura de crise para apostar em novos projetos ou novas ideias.”

“Essa solução é impraticável e custa muito dinheiro.”

“Lá vem ela/ele com mais uma ideia, dá-lhe uns meses que ele/ela vai ver como é que isto funciona por estes lados.”

E com este tipo de afirmações inconscientes, na maior parte dos casos, lá vamos nós lentamente desistindo e com a força do tempo adaptando-nos ao estabelecido, à norma, à rotina e assim, abandonamos todo o nosso potencial criativo para fazer a diferença e sermos nós mesmos.

No caso dos jovens, aqueles mais rebeldes, a solução passa por sair, fugir da ilha, viajar para lugares mais propícios à mudança, à inovação, mais abertos à diferença, às ideias loucas, numa busca incessante, jovem, inconsciente e inocente para não perderem a sua verdadeira identidade.

E, alguns, conseguem! São os que muitas vezes voltam, transformados, cheios de garra e energia, que nos inspiram e fazem o sangue correr novamente nesta teia a que chamamos de sociedade madeirense.

O desafio é sempre o mesmo.

Como pensarmos e sentirmos todos em conjunto, sociedade civil, governo, instituições públicas e privadas, por forma a criarmos soluções que transformem esta nossa ilha num lugar mais aberto, mais inovador, menos conformista, menos invejoso do outro, mais focado em si e não nos outros?

Como poderemos ser todos em conjunto mais criativos, mais únicos e com possibilidade de expressarmos a nossa verdadeira identidade, o nosso SER criativo?

Elsa Gouveia, Consultora e Formadora