Pedro Spínola Ao desenfreado abate das palmeiras da marginal da Calheta pós insólita queda de uma e feliz escapatória do veículo, há muito que se lhe diga. Há ainda presente, em questão e em dito cujo, o escaravelho da palmeira, a falta de planeamento, trato e acompanhamento sanitário de todas as árvores e plantas de grande porte na região. Passava, em manchete, pela RTP Madeira, no Domingo à tarde, a notícia de que as palmeiras seriam todas abatidas e plantadas árvores endémicas em seu lugar. Ora, não sendo eu botânico, nem engenheiro agrónomo, o que é que eles querem dizer com árvores endémicas? É que são muito poucas, exceto, salvo erro, a Oliveira da Madeira, as árvores endémicas que existem na costa sul ao nível do mar. Dragoeiros e massarocos não são árvores.... Ou, espero que não, referiam-se a tis, barbusanos, loureiros, etc, árvores, essas sim, endémicas ou indígenas, mas de altitude, que não crescem bem nem saudáveis (leia-se sem pragas) numa cota tão baixa na costa sul. Para quem conhece os barbusanos plantados na Rua do Aljube, o pequeno espaço de laurissilva do Jardim de Santa Luzia ou outros casos pontuais, aperceber-se-á que estão sempre cheios de pragas, com muito mau aspecto, especialmente durante o verão. Plantas de altitude respiram demasiado com o calor, não se adaptam bem e secunbem às pragas tropicais, especialmente a famigerada Conchonilha. Desta forma, a não ser que as deixem, como é costume, ao abandono após uma pomposa inauguração, poderão ainda preferir gastar elevadas e desnecessárias quantias em tratamentos que podiam ser evitados se se planeasse, discutisse e ouvisse acerca do que plantar, onde e quando. Quem fala disto, fala do arbitrário “plano” de reflorestação das serras, onde as urzes, maiores captadoras de água atmosférica de toda a flora e “berços” de tudo o que virá depois delas, foram plantadas, a seco, juntamente com outras coisas...