A Escolha Pública é um ramo da Ciência Económica que estuda os processos de decisão política nos vários sistemas de governação e, em particular, numa democracia. Assim utiliza os conceitos de racionalidade económica e auto-interesse do “homo-economicus” para tentar perceber as decisões que os eleitores, os seus representantes eleitos e os políticos tomam. Penso que seria muito interessante os estudiosos da Escolha Pública analisarem os resultados das eleições de 4 de Outubro e todo o processo negocial que se tem seguido o qual ainda não está terminado. O primeiro aspeto sobre qual parece que existem dúvidas é sobre o sentido do voto dos eleitores. Considerando que os eleitores são racionais terão votado naquele partido que pensaram que lhes traria mais bem-estar no futuro, ou não votaram por acharem que ao não o fazerem ficavam melhor. Numa leitura de economista e pensando que todas as abstenções correspondem a potenciais votantes, o que é duvidoso dada a não a atualização dos cadernos eleitorais, vemos a maior parte dos eleitores acha que o melhor mesmo é não votar. Dos que votaram, o maior número de votos foi para a Coligação “Á Frente Portugal”, seguindo-se o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e ainda com representação parlamentar o “Pessoas, Animais e Natureza”. Ficou constituído o Parlamento sendo que nenhuma força política conseguiu alcançar a maioria dos lugares ou seja nenhuma força política pode governar sozinha. Agora passamos dos interesses dos eleitores para os interesses dos eleitos. Será que estes se comportam de acordo com o seu próprio interesse ou são agentes dos interesses dos que os elegeram? Penso que todos compreendemos as vantagens de ser Governo, vantagens essas acrescidas numa Economia como a Portuguesa onde o peso do Estado é enorme dando deste modo muito poder económico a quem o controla, por isso durante mais algum tempo vamos ouvir falar dos interesses superiores do País ou de Portugal ou dos Portugueses mas no final, espero me enganar, vamos ver os Portugueses a empobrecerem cada vez mais como resultado de políticas que rejeitaram nas urnas com uma maioria absoluta dos votos!
Pedro Telhado Pereira Professor Catedrático da Universidade da Madeira