Juvenal Pereira - Sempre pensei que estavas embarcado ou doente… nunca mais apareceste aos almoços cá com a gente! - Depois do último ato eleitoral, tenho andado muito mal. Assim que soube que o meu partido havia ficado atrás do Bloco de Esquerda, nunca mais andei bom da minha cabeça. - Compreendo a tua desilusão. Não é fácil passar de vice-campeão para a zona de despromoção. - Tens razão. Se houvesse 2ª Liga tinham descido de divisão! E só não aconteceu aqui há uns meses passados, porque os principais adversários não estavam devidamente organizados. - É verdade. Até mete medo. Em quatro anos quase foram os anéis e os… dedos! - Achas que, com a saída só do presidente, a “coisa” dá a volta e vai de novo para a frente? -Muito dificilmente. Mas penso que vai imperar o bom senso. Os que, com muito trabalho, muita dedicação, muito sacrifício e abnegação, ajudaram o presidente a levar o partido a um patamar nunca antes atingido, vão refletir no sucedido. -Se estou a entender, queres tu dizer, que os que levaram (e, depois, com isso beneficiaram) o partido aos “píncaros da lua”, nestas horas desagradáveis, vão também sentir-se responsáveis e acompanhar o presidente para a rua? - Pode não te parecer, mas é isso que vai acontecer. Aliás, Essa “coisa” de quando anda a perder a equipa, muda-se só o treinador, é no futebol, não na política. - Eu acredito que tenhas fé, que sejas um homem esperançado, mas, (se não te importas) para ver, eu vou esperar sentado. E quanto aquela “engrenagem” que anda lá pelo continente que trás preocupada tanta gente? - Bom, o Sr. Costa tem lá as suas razões. Para calar a ira do seu partido, sobretudo dos “barões” , ele anda fazendo de conta que ganhou as eleições. Para que os outros estejam calados, vai fingindo que foi o mais votado. - Ao que parece, mesmo sem ganhar, pode ser ele a governar. - Isso é uma coisa magnífica e só vem dar razão ao abstencionista. De que serve votar, se quem ganha não é quem vai governar? - Na Europa há países nessas condições, quem governa não foi quem ganhou as eleições. - E os partidos que estão aí a governar, são contra a União Europeia, a NATO, o EURO, e as dívidas a pagar? - Não. Mas estes têm boa intenção. Vão repor o dinheiro das pensões, os feriados, baixar os impostos, ajudar os necessitados… - E não será que depois vão se” esquecer” ao verem que, afinal, não têm dinheiro para o fazer? - Isso não vai acontecer. - É porque faz-me lembrar a velha” história das sandes” passada num “Snack-bar”. Passo a recordar: - O Sr. tem sandes? - Tenho, sim senhor. Tenho sandes de polvo, de leitão, de queijo,fiambre,atum… - Muito bem. Arranje-me uma sandes de leitão. - Oh, desculpe, mas não tenho pão! - Maldita comparação. Já vejo que és da direita radical e não queres o bem, nem para o povo, nem para Portugal!