Marco Andrade Referente à publicação do dia 16 de outubro, sobre o “curso” de PLNM para estrangeiros, há que esclarecer alguns pontos sobre a proposta apresentada pela SRE, na tentativa de resolução do problema para os alunos de PLNM do Lar de Santa Isabel – Sª. Cª. da Mª. do Funchal.

Este curso, destinado a adultos estrangeiros, altamente qualificados que residem na RAM, jamais poderá ser contextualizado no Ensino Recorrente para adultos no âmbito da Alfabetização, visto que os objectivos e metas a atingir dos primeiros não se coadunam com os de PLNM, pois seria como juntar uma pessoa licenciada com outra, de nível académico inferior, em contexto de aprendizagem de uma determinada disciplina.

Segundo, o PLNM requer docentes com bastante experiência ou formação em PLNM que obedece às normas do “Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas – (QECR), publicado em 2001 pelo Conselho da Europa”.

Terceiro, não só iria dificultar os docentes que não possuam experiência, nem conhecimento das normas acima mencionadas, comprometendo todo o ensino/aprendizagem previamente desenvolvido com estes discentes ao longo de cinco anos. Respetivamente ao docente contratado, responsável por este “curso”, para além de pertencer ao grupo 110 (professores do 1º ciclo do ensino básico), possui Mestrado em Inovação Pedagógica que lhe permite trabalhar com estas comunidades, recorrendo a estratégias utilizadas nas Comunidades de Prática (CdP), tema abordado na sua tese e de outras de integração social, junto da comunidade portuguesa. Além disso, tem vasta experiência na metodologia implementada no PLNM, conhece muito bem as capacidades e conhecimentos dos seus alunos, distribuídos pelos níveis recomendados pelo QECR e possui bons conhecimentos de idiomas estrangeiros (inglês, francês e alemão), adquiridos enquanto estudante nas escolas da RAM, na ALM da Madeira e da sua experiência como rececionista de hotéis (10 anos), que apesar de não serem requisitos para leccionar Português, são fundamentais para comunicar com os alunos que não têm qualquer conhecimento da língua portuguesa e para que estes se sintam mais integrados no curso.

Entende-se que o docente não possa estar a leccionar, devido as regras do concurso, de acordo com a lei vigente, nem é da sua vontade ultrapassar quem quer que seja, mas é possível, através de oferta de emprego para este curso, através do qual, o próprio pode apresentar os requisitos necessários exigidos, como de outras ofertas de emprego que surgiram e continuam a surgir para este ano letivo.

Fala-se muito na eventualidade de se receber refugiados da Síria, mas alguém já se manifestou da grande barreira linguística e cultural para que estes se sintam, realmente, integrados? Ou comunicaremos na língua materna deles?

Em modos de conclusão, fica a sugestão para uma maior reflexão que possa convergir a melhores resoluções para este e outros problemas semelhantes.