No ano 1769, Denis Diderot o escritor e filósofo francês, escreveu um ensaio intitulado “Regrets sur ma vieille robe de chambre” [Arrependimentos sobre o meu velho roupão]. Neste pequeno texto, Diderot contava que tinha adquirido um novo roupão escarlate muito elegante e no início lamentava ter abandonado o roupão anterior, já velho e gasto. Passado o arrependimento, apercebeu-se que todos os seus outros bens eram velhos, feios e apagados em comparação com o belo roupão vermelho. Diderot tinha vivido muitos anos no limiar da pobreza e aos 52 anos recebeu subitamente uma quantidade considerável de dinheiro, quando a Imperatriz Catarina a Grande comprou todos os livros da sua biblioteca. Por isso, Diderot tinha comprado o novo roupão e depois, decidiu substituir os seus bens por novos objetos mais vistosos, mais condizentes com o seu novo roupão. Assim comprou novas mobílias, tapetes e quadros para as paredes. No final do ensaio, Diderot dizia que ainda seria necessário algum tempo para que todas as dívidas desencadeadas pelo roupão vermelho fossem pagas. O remorso acabaria por desaparecer e ele voltaria a sentir alegria, uma vez que conseguisse controlar o desejo louco de possuir coisas belas. Esta vontade de comprar muitas coisas novas acabou por ficar conhecida como o “Efeito Diderot”. E continua a ser uma das formas mais utilizadas por algumas pessoas em pleno Século XXI para preencher o seu vazio interior. Na década de 1960, o filósofo Alan Watts tentava ensinar aos jovens uma cura para o “Efeito Diderot”. Como orador em diversas conferências, perguntava aos seus jovens ouvintes: “O que gostarias de fazer se o dinheiro não fosse obstáculo? Como gostarias de viver a tua vida?” Alguns jovens diziam que gostariam de ser pintores, outros manifestavam o seu desejo de ser poetas ou escritores… mas reafirmavam que não se consegue ganhar muito dinheiro com essas coisas. Então Watts dizia: “Faz aquilo que gostas e esquece o dinheiro. Porque se tu achas que ganhar dinheiro é o mais importante, vais desperdiçar a tua vida. É melhor ter uma vida curta e repleta de coisas que gostas de fazer do que uma vida longa vivida de forma miserável. (…) É absolutamente estúpido fazer coisas que não gostas de fazer para gastar o dinheiro que ganhas em coisas que não gostas e depois explicar aos vossos filhos que esse é o caminho que deve ser seguido. É um círculo vicioso que não leva a lugar nenhum.” Numa tentativa audaciosa para quebrar com este paradigma há que (re)descobrir aquilo que realmente desejamos. E nisto há uma dose elevada de sinceridade, honestidade e compromisso!

Roberto Macedo Alves