Em primeiro lugar, reitero a todos os leitores votos de um ano de 2015 cheio de saúde, alegria e realizações pessoais e profissionais. No último mês, de forma mais intensa, temos assistido a uma “guerra”, que alguns teimam em dizer que nada existe, entre Bruno Carvalho e Marco Silva, com uma série de personagens pelo meio, como geralmente acontece quando os principais intervenientes não podem dizer tudo aquilo que lhes apetece. O presidente do Sporting CP, Bruno de Carvalho, qual líder de claque, entendeu em determinado momento que as coisas não corriam como ele queria, a equipa não jogava como ele entendia que devia nem ganhava jogos como ele desejava. Como verdadeiro líder de claque entendeu mostrar às hostes adeptas que ele ali estava e também não gostava do que via. Vai dai, recorrendo às redes sociais decide bater na equipa, ou melhor, nas equipas, já que a equipa B também levou por tabela e de forma indireta também o treinador. Nestas coisas do futebol, meandros, corredores e bastidores não há linhas soltas, outras coisas surgiam de arrasto e Bruno de Carvalho não encontrou em Marco Silva um “yes man”, encontrou alguém com caracter, com personalidade. Vai dai, Bruno de Carvalho percebeu que estava a perder o controlo da coisa e entram outros ao barulho levantando fantasmas sobre Marco Silva, naquilo a que eu já intitulei de assassínio de caracter. Resultado desta “guerra”, Bruno de Carvalho teve de recuar, Marco Silva não se amedrontou, não se deixou levar pelos ataques que tinham como objetivo levá-lo ao desgaste e a pedir a demissão. Marco Silva não tinha que o fazer, está a fazer o seu trabalho no clube com elevado profissionalismo e com grande caracter. Em relação a Bruno Carvalho, se por um lado está a fazer um bom trabalho no enfrentar da difícil situação do clube, por outro está a demonstrar que leva as coisas de forma muito pessoal, já vai no segundo treinador na equipa principal, na equipa B já são 2 ou 3 e os resultados na formação estão a queda. Pela sua última intervenção creio que este percebeu que saiu a perder neste enfrentamento, tanto mais que pela primeira vez vi uma intervenção de Bruno Carvalho com teleponto. Terá chegado o momento em que percebeu que está a acelerar muito? Terá sido este episódio o banho de humildade e caracter que estava a precisar? Enquanto adepto de outro clube, gosto de ganhar títulos com adversários fortes, o Sporting é historicamente um dos maiores do país. Já basta a vergonhosa e deplorável qualidade do futebol português.
Duarte Vieira