O despontar de novos partidos mais ou menos radicais, que preenchem um vazio criado pela atual crise económica, pelo crescente descrédito dos políticos e dos partidos tradicionais e pelo aumento da imigração, trouxeram de novo ao debate sobre o futuro da Europa. É interessante verificar que estes partidos surgem tanto na direita mais profunda como na esquerda mais ou menos radical. Os partidos de extrema-direita são, regra geral, contra a ideia de uma Europa Unida, enquanto os de esquerda mais radical, colocam sérias dúvidas sobre a forma como a Europa está a ser construída. 2015 é um ano que se prevê muito agitado eleitoralmente porque estes partidos estão a tomar a dianteira nas intenções de voto dos europeus. Já este mês, no dia 25 temos eleições na Grécia, onde há uma forte probabilidade de vitória de um partido que sempre se demarcou com as atuais politicas europeias. De seguida temos também eleições no Reino Unido que sempre teve um pé dentro e outro fora da União, e para terminar temos também eleições em Espanha, onde um novo partido de extrema esquerda (Podemos) já provocou um pequeno sismo na politica espanhola, quando ficou à frente do PSOE e do PP numa sondagem no final do ano passado. Teremos também eleições em Portugal, na Polónia, na Dinamarca e na Finlândia.

Mas são as primeiras eleições (Grécia e Reino Unido) que se preveem decisivas para a Europa. No caso do Syriza conseguir formar governo, não me parece que isso provoque grandes convulsões na União , pois não irá conseguir renegociar nem deixar de pagar parte da sua dívida, uma vez que está fortemente condicionado por uma elevadíssima necessidade de liquidez a muito curto prazo. Muito em breve, e seja quem for que ganhe as eleições, a Grécia terá de escolher entre duas hipóteses. Uma má: Continuar com uma austeridade ditada pela Alemanha; e outra muito má: entrar em bancarrota. Como é obvio vão escolher a má e terminar com o atual plano de austeridade. Mas o principal problema desta vitória muito provável, é que pode dar folego ao partido xenófobo britânico, o UKIP, e aos deputados mais antieuropeus do partido conservador e fazer com que David Cameron intensifique as tentativas de renegociação dos termos da adesão à União Europeia e antecipe a convocação do referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. Nos últimos anos, Londres tem travando uma espécie de guerra com Bruxelas, ao exigir a revisão dos tratados europeus. Londres considera que os tratados estão desadequados e que a ausência de reformas e politicas económicas podem forçar o Reino Unido a abandonar a União Europeia, uma vez que consideram que os atuais tratados não protegem os interesses dos países que não pertencem à zona euro. O governo britânico tem se mostrado intransigente nesta luta e afirma que caso seja necessário, fará o seu caminho fora da União Europeia.

Se houver uma saída da Grécia da União Europeia ou mais um perdão da dívida, sobreviverá o Euro e a União. Mas a saída do Reino Unido seria o inicio de uma autentica catástrofe, porque isto levaria a uma nova crise financeira, aumentaria muitíssimo o risco de contágio o que resultaria muito rapidamente numa Europa enfraquecida, muito dividida e dominada por uma única potência (Alemanha).

Luís Pedro Branco