Já diz o povo que “ano novo, vida nova” ! Nada melhor, então, que começar por falar na utopia (pelos vistos, real) em governar um mundo tendo como base a felicidade do seu povo.

Esta filosofia hippie transformou-se em realidade já em 1972, num país conhecido como o último paraíso. Falo-vos do Butão, traduzindo à nossa letra, a Terra do Dragão.

Neste pequenino país que respira a 3 mil metros de altitude na verde cordilheira do Himalaia (entre a Índia e a China) vivem 700 mil pessoas. E que, acreditem ou não, andam de sorriso estampado no rosto 24 horas por dia!

Tudo isto teve origem no rei que nessa data subiu ao trono (repito, em 1972) e que na sua tenra idade dos 17 anos (em que é normal termos mentes insensatas) decidiu desafiar o modo como os motores da economia do seu reino trabalhavam e colocou-a às avessas.

Ao contrário da procura incessante do resto do mundo pelo aumento ilimitado do PIB -Produto Interno Bruto- o Butão apenas começou a procurar, desde então, ser a nação mais feliz do mundo! “ Uma sociedade só se desenvolve verdadeiramente quando os avanços material e espiritual se complementam e reforçam um ao outro” – disse o “louco” Rei Jigme Singye Wangchuck do Butão!

E uma nova filosofia instalou-se naquele reino. A prioridade: Todos felizes e em harmonia com a Natureza! Essa passou a ser a verdadeira procura de riqueza daquele povo!

Consequências deste desvario do rei: desenvolvimento económico sustentável, preservação da cultura, conservação do meio ambiente e sem dúvida alguma, uma boa governança!

Neste minúsculo país montanhoso, que até o mapa esquece, está decidido que apesar da exportação da madeira significar muito dinheiro, 60% do território manter-se-á preservado e coberto pela genuína verde floresta. A força dos seus rios é usada para criar energia hidroelétrica indispensável aos dias daquele povo.

Como a terra é fértil, o país produz alimento suficiente para a população e ainda exporta o excedente para a Índia. Na agricultura, há uma política ativa de banir totalmente o uso de produtos químicos. Às terças feiras é proibido circular de automóvel na cidade. A taxa de desemprego é praticamente nula. E apesar de ser um potencial polo turístico devido à sua beleza natural e selvagem, o acesso ao turismo é limitado, não vá ele prejudicar a cultura e o tão importante meio ambiente. E, não podemos esquecer, a felicidade colada na cara daquele povo irradia inveja a todos os que continuam a acreditar que o objetivo de vida limita-se à produção, ao consumo e às necessidades materiais.

O conceito inventado por este rei, usar como análise de desenvolvimento de uma sociedade o indicador FIB - Felicidade Interna Bruta – e não apenas o desenvolvimento económico defende que o objetivo principal de uma sociedade é a junção do desenvolvimento material com o psicológico, o cultural e o espiritual em harmonia com a Terra. Para isso, uma sociedade deve medir o seu bem-estar psicológico; o nível da sua saúde, cultura e educação; o estado e preservação do seu meio ambiente; o uso do seu tempo de lazer, tempo com a família e amigos; os relacionamentos dentro da comunidade, voluntariado, doações; o modo como o povo vê o seu governo; e ainda o seu padrão de vida.

Nos dias atuais, a tal loucura deste rei levou muitos seguidores a tentarem implementar o seu “conceito louco” nos seus países: Tailândia, Canadá, Austrália, Reino Unido e algumas cidades do Brasil. Quiçá chegue a Portugal um dia.

Uma coisa digo aqui, a próxima vez que ouvirem falar na necessidade de nos empenharmos em governar uma sociedade feliz ao invés de analisarmos apenas e somente o seu crescimento económico, não respondam gratuitamente que é impossível. Impossível é continuarmos a achar que existimos para produzir dinheiro.

Impossível é continuarmos a fechar os olhos ao lado bom da vida e rejeitarmos este tipo de demências!

Agnes Freitas