O sonho é o alimento do amanhã, ilumina a estrada escura e obscura alcatroada pelas coisas malignas que surgem em cada adufa aberta. Sem sonho não há vida, sem vida um ser não existe, de que serve ser um morto caminhante pelos cruzamentos congestionados na hora de ponta? Mais um estorvo para empatar e aumentar o pára-arranca? Mais um vazio que se arrasta com pernas pesadas de chumbo oriundo das balas outrora recebidas, balas não digeridas, veneno gordo armazenado nas veias de quem preferiu coleccionar balas ao invés de renovar a sua luz. Sonhos, metas, ambições - a manutenção gratuita do seu veículo. Aliciante, não? A escassez de borlas neste mundo é notória, porque não aproveitar? Quando surge algo gratuito não sabem agarrar! Preocupam-se dramaticamente com lamentações gastas de tanto serem mendigadas, matam-se impiedosamente com o mascar de pastilhas já mascadas. A nova tendência traduz-se em culpar a crise de todas as janelas fechadas, cobardia abismal daqueles que não ousam abrir uma única janela e ver sem medo o que precisa de ser visto. Ai crise, levas com as culpas de tudo, ai não que não levas! Escrevem peças de teatro nas folhas do pensamento, acordados sonham com o seu alinhamento, voam sorridentes pelos mares de ânsias e desejos, gritam felicidade por breves momentos. Rapidamente deparam-se com o temível medo, medo de trazer o sonho à vida, medo de não saberem voar pelo desconhecido, apercebem-se que voar não chega para projectar a peça que tanto quer ser bem sucedida. É preciso fazer mais e suar, investir e batalhar, despir o que faz recuar e voar sem medo de se despenhar. Há que fazer frente àquilo que nos ataca por trás, não vemos o seu rosto porém sabemos que está lá empatando com todo o gosto guloso de um amargo provocado. Há que fazer frente àquilo que morde a nossa mente. Embrulhar o medo e guardá-lo num bolso escuro, lavar os suores ansiosos que escorrem com o pulsar da arritmia constante, caminhar mesmo com o tremer no andar, soltar lágrimas para aliviar o esforço alucinante. Oferecer-se às incógnitas da vida, vida essa que tanto corta como ensina, entregar-se ao risco e descobrir o sentido do que não fazia sentido mas que tinha todo o sentido escondido, o medo é uma arma de respostas silenciosas capaz de alvejar o futuro tão sonhado. Medos são vozes persuasivas que se atrevem a contaminar a nossa mente, são testes que tentam desviar a meta do olhar e erodir as forças cravadas na alma. A alma sangra, o pensamento é invadido por um desfocar que ataca a nitidez do objectivo outrora tão vivaz. Vida tão bela que esculpe inúmeras dificuldades, traça receios e terrores, faz chorar e gritar aos céus! Vida linda e exímia que fere sem pedir permissão. Só assim vale a pena viver, só assim conquistamos os desertos da nossa rota e tornamo-nos vida da nossa própria vida! Induzir ambição à alma irá justificar cada amanhecer! No entanto, habitam maldades em todas as encruzilhadas, maldades que sabem como doces porque provocam luta, causam dinâmica e “vulcanizam” a vontade do querer. Contrariamente ao que muitos fantasiam, as maldades fazem parte, as maldades são a motivação para continuar o guião, são os tropeções sábios que levam ao conhecer dos segredos ocultos desta vida tão transparente. Temos a ambição pura e honesta que levará a grandiosas conquistas humanas - humanas, disse eu, só os humanos farão jus à sua prática correcta. Ainda temos as pessoas, criaturas desprovidas de humanidade que desprezam todo o saber de sentir, amar, gritar, chorar. Pessoas que engolem a ambição dita fatal, destroem tudo o que encontram a fim de alcançarem a mina dos seus sonhos. - Oh criaturas! De que serve serem donos de uma conquista que não teve qualquer conquista e que apenas causou tragédias, assaltos a almas indefesas, mortes emocionais inocentes? São donos de um nada! Ambição, a chave do êxito e da plenitude de um humano! Ambição, a arma impiedosa das pessoas, actua como um rascunho de terrorismo! Dá que pensar... Reproduzam ambição, criem-na como um filho, façam o vosso melhor e atinjam as vossas metas com o orgulho de poderem gritar “EU CONSEGUI, EU CONQUISTEI”! Quanto aos restantes, nem todos estão aptos para criarem um filho, certo? Nunca desistam de vós, nunca desistam da vida! Lutem por tudo aquilo que sonharam calados, nenhuma meta é impossível de ser alcançada, a vossa mente é a responsável pelas barreiras ou pelas asas enraizadas em vós. Lutem e um dia ouvirão o eco gritante daquilo que “não passavam de meros sonhos calados”.

Carina Santos