Por ocasião da formalização da minha candidatura, opinei que o PSD Madeira revelava falta de maturidade democrática. Isto a propósito da nossa incapacidade para resolvermos as questões processuais com que se tem confrontado o processo eleitoral interno. É um facto. Em vez de nos debruçarmos sobre o essencial (o debate de ideias em torno do futuro do PSD/M e da RAM) perdemos energias e tempo precioso com questões que em qualquer partido adulto há muito estariam ultrapassadas. E o exemplo paradigmático é o da constituição duma Comissão Eleitoral integrando representantes de todas as candidaturas. Questão banal na vida do PSD/Açores, do PSD Nacional, mas que no nosso partido virou um bicho de sete cabeças. Mas outras situações poderiam ser apontadas. Num partido maduro os candidatos teriam estado ao lado do Presidente do Partido, em cima do palco, na Festa do Chão da Lagoa e ter-lhes-ia sido dada a palavra. Que melhor prova de unidade e capacidade de renovação teríamos dado aos milhares de militantes e simpatizantes que ali estavam? Do mesmo modo, num partido maduro, os candidatos já teriam sido convidados a participar num Conselho Regional para que pudessem apresentar sucintamente os seus projetos e responder, não só às 25 perguntas já formuladas pelo Presidente do Partido, mas também a todas as perguntas que os Conselheiros quisessem levantar. Aliás, num partido maduro, o Conselho Regional, enquanto órgão de natureza parlamentar, teria uma composição plural. Num partido maduro, as sedes não teriam estado fechadas durante meses ao debate com os candidatos. Nem teriam agora sido abertas com base num regulamento inqualificável que é acima de tudo uma expressão de desconfiança aos candidatos mas acima de tudo a todos os militantes. E depois, estranha o Secretário Geral que o debate se faça no Diário de Notícias e nas redes sociais. A propósito, quando dará o JM cobertura e espaço noticioso aos candidatos não governantes? Sim, porque aos candidatos governantes o espaço tem sido dado com enorme generosidade e com base num equilíbrio notável. Num partido maduro, os candidatos teriam beneficiado dum pequeno financiamento para as suas atividades de campanha de modo a evitar a criação de relações de dependência com financiadores privados, nomeadamente importantes grupos económicos. Refira-se que no meu caso concreto assumi o princípio de que a minha campanha é austera e será quase exclusivamente autofinanciada. Num partido maduro, e no que concerne aos muitos militantes com quotas bastante atrasadas, não se faria depender o exercício do direito de voto do pagamento de quotas cujo montante pode atingir os 52€ individuais. Sintomaticamente na última eleição bastou pagar 20€. A isto acresce a insensibilidade social de não isentar de quotas os militantes desempregados ou todos aqueles com um rendimento inferior ao salário mínimo. Onde anda o valor da solidariedade, o nosso valor primacial? Por último, num partido maduro, o Líder cessante não deixa um guião, um caminho traçado que o novo Líder deve seguir e percorrer. A fraqueza da nova liderança ficaria desde logo exposta. Queremos um Líder fraco e sem autonomia para o PSD/M? Um seguidor e um continuador do anterior Líder? O processo eleitoral representa uma oportunidade imperdível para amadurecermos, para crescermos enquanto Partido, diria mesmo para nos reinventarmos. Não a percamos!

Sérgio Marques Candidato a líder do PSD-M