Alexandre Silva Nasci em 1974 e desde criança um homem fez-me acreditar no Sonho Madeirense. Ele defendia que devíamos ser donos do nosso destino, reclamando autonomia e liberdade de escolha para um povo com graves carências estruturais e sociais. Cresci motivado e habituado a defender a minha adorada terra contra tudo e todos. O Sonho desse homem deu à minha geração oportunidades que as anteriores nunca tiveram. Se calhar o seu maior feito, foi ter criado condições para que uma geração de jovens madeirenses completassem os seus estudos superiores, e isso, só está ao alcance de alguém visionário, o qual nesse particular tem a minha mais profunda gratidão. Já na faculdade, ataques gratuitos contra o nome da minha terra, pretendiam atingir também o nome desse homem. Ambos se confundiam e se fundiam, personificando um povo, um lugar e um sonho, o Sonho Madeirense. Ao longo dos anos, os excessos do tal homem eram esbatidos, pelo seu carisma e sobretudo pelo tal Sonho Madeirense. Mas mesmo o Sonho, não disfarçou o que já na última década e meia se sabia. Que temos uma sociedade desigual, viciada, de lobbie governamental, com ausência de valores fundamentais, tais como o respeito, a seriedade e o sentido da causa pública. Uma Administração Pública politizada, em que quem tem espirito de missão está fora de formato, desligada entre serviços, com dirigentes amarrados ou instruídos para amarrar, disfuncional e desmotivada. Em que impera o espirito do “se os outros fazem, eu é que vou ser o tonto”. Não pretendo ser ofensivo, apesar de me considerar ofendido, mas sinto que evoluímos para o lado errado. Com 40 anos continuo a acreditar e a transmitir aos meus filhos o Sonho Madeirense, de igualdade de oportunidades, do primado da pessoa humana, da autonomia e liberdade, mesmo que ironicamente a concretizar seja fora da minha terra.