O Verão aproxima-se timidamente com temperaturas ainda muito amenas enquanto o ambiente político revela efervescência inusitada ou talvez não. Num espaço tão pequeno, o barómetro político subiu em flecha. Primeiro foram os resultados eleitorais das europeias que demonstraram, uma vez mais, quão descontente, está o povo português com os políticos que gerem a estrutura dos principais partidos políticos. A abstenção, sem qualquer surpresa, atingiu valores ainda mais elevados, uma eleição que prova que nada diz aos portugueses e que demonstrou que os candidatos e os partidos que os sustentam, salvo raras excepções para confirmar a regra, em nada contribuíram para mobilizar o eleitorado tão descontente em relação às políticas caseiras e sobretudo ao que poderá esperar da União Europeia, que impôs medidas de austeridade tão drásticas, principalmente para os povos sob programas de ajustamento financeiro. O PS ganha as eleições europeias, cenário também previsível, mas ao contrário do que cantaram os seus dirigentes, grande vitória logo após a projecção apresentada, despropositada, os resultados obtidos ficaram muito aquém do que esperariam os socialistas. Agora assiste-se a uma luta de poder dentro do PS que revela como o nosso sistema político enfraquece de dia para dia, transformando vitórias em pesadelos e o que mais interessa é, o poder pelo poder. O governo entra em ebulição pelos chumbos que o Tribunal Constitucional decretou e que se aguardava que assim fosse. Assiste-se a um ataque sem precedentes ao TC quando o responsável principal é o governo que persiste em legislar contrário aos princípios constitucionais pois já são 8 diplomas que mereceram este tipo de decisão. Este tipo de procedimentos fazem enfraquecer os órgãos de soberania e que põe a nu a degradação política a que chegamos e que importa para bem da democracia, inverter. Mas o grande problema do governo nem sequer é o chumbo das medidas mas sim a almofada financeira que dispunha para enfrentar as eleições legislativas de 2015 e com ela poder apresentar medidas capazes de mobilizar o eleitorado. Com vai ultrapassar a situação eis a grande questão pois a austeridade que dizia poder começar a mitigar em 2015 está de novo fortemente ameaçada.

José Manuel Oliveira