Nunca pensei copiar o título dos artigos de opinião de Jaime Ramos para título do meu próprio artigo de opinião. Ainda mais quando o político/dirigente/empresário, numa forma altamente criativa, repete sempre o mesmo título no seu jornal 'Madeira Livre', que me cai na caixa de correio com uma frequência de dois exemplares por edição. Mas hoje reconheço na criatividade de Jaime Ramos algo que vai para além do título repetido, velho e gasto. Vejo naquele título, se não um sublime traço da mais pura filosofia política, pelo menos um retrato de grande fineza e apurado rigor da Madeira em que vivemos. E então vou por aí, pelas palhaçadas. Mas só algumas, as mais flagrantes desta semana, que é para não cansar: 1.ª O presidente do Governo Regional voltou a dar nas vistas. Não foi na Madeira, foi em Bruxelas, onde é quase mais visto do que por cá. Desta vez andou a discutir soluções tão importantes para os madeirenses como “estratégia para os mares Adriático e Jónico”. Isso mesmo. Se isto das viagens mensais a Bruxelas, ou a outros recantos dessa Europa tão convidativa, não é uma palhaçada, então não sei o que diga. Porque não conheço governante nenhum neste País que se considere a ele próprio tão dispensável ao ponto de se dispensar da governação uma semana por mês. 2. ª O Governo Regional mandou limpar o pó e o bolor à Casa da Madeira em Lisboa para apresentar 13 calhamaços onde estão 10 mil páginas com as contas da Madeira nos últimos 500 anos. Mais do que aqueles números que ninguém pode contestar, a dúvida é saber como é que alguém que não sabe exactamente como foram as contas públicas dos últimos 10 anos, vai saber agora o que fizeram outros em 500 anos? E há mais um pormenor interessante: o estudo às contas da Madeira, afinal, deixa de fora o período em que Jardim esteve no Governo. Muito conveniente, de facto. Mais do que a brincadeira às contas do ‘Deve e Haver’, o que salta à vista é que deve haver muito pouco que fazer. 3.ª Os deputados do PSD-Madeira em Lisboa avançaram com uma ideia de Revisão Constitucional. Teve o mérito de abrir o processo. Teve o demérito de nos expôr ao ridículo. Outra vez. Então o único governo do País que não é capaz de rever o seu Estatuto para acabar com a pouca vergonha da acumulação da reforma com salário só para meia dúzia; que não é capaz de fazer o que se faz por esse Portugal inteiro ao nível das incompatibilidades entre políticos de manhã e empresários à tarde; que não é capaz de usar todas as competências que exigiu... então vai ser esse governo que vai a Lisboa bater o pé por uma nova Constituição? Tudo isto remete para os títulos dos editoriais do ‘Madeira Livre’. De facto, vivemos ‘a palhaçada’ a um ritmo alucinante, a fazer lembrar um governo de brincar.